Aguinaldo Silva (5)
O Planeta TV - Depois de Suave Veneno o senhor escreveu Porto dos Milagres e voltou com os estilos regionais com tipos marcantes e realismos fantásticos assim como Tieta e Fera Ferida e a trama conseguiu bons índices de audiência. Segundo boatos o senhor não gostou de escrever Porto dos Milagres. Isto é verdade? E qual seria o motivo?
Aguinaldo Silva– O motivo por que não gostei de escrever Porto dos Milagres é que eu descobri, graças a ela, que tinha o péssimo costume de “botar azeitona nas empadas dos outros”, ou seja: fazia adatapções de obras alheias. Pegava um livro do Autor X, virava-o pelo avesso, transformava-o numa obra minha – e uma novela, por suas dimensões, é sempre uma obra de quem a escreve -, mas era sempre o Autor X quem levava fama. Fiquei tão aborrecido com Porto dos Milagres que quase me aposentei. Mas, quando a vontade ficou forte demais, deitei na cama e esperei que ela passasse. E então decidi que a partir dali só escreveria histórias originais, ou seja: minhas.
O Planeta TV - Em Senhora do Destino o senhor abordou sobre o seqüestro de crianças e conseguiu cravar índices de audiência que a Globo não alcançava a mais de 10 anos. Como surgiu a idéia de escrever uma novela realista? O senhor esperava tamanha audiência que foi alcançada pela trama?
Aguinaldo Silva– Eu pensei: com tudo o que está acontecendo na vida real, se eu botar gente voando na minha novela o público vai achar uma bobagem, uma idiotice. Se eu quiser provocar algum interesse, dessa vez vou ter que correr atrás da realidade. Foi o que fiz.
Agora, quanto à audiência, pra falar a verdade, eu achava que Senhora do Destino era ma faca de dois gumes, podia ser rejeitada por ter como personagens principais – e sérios – os suburbanos, e por isso se transformar num grande fracasso. Eu me arrisquei muito, quase tanto como na vez em que fugi do Esquadrão da Morte, em 1968, correndo sobre os telhados da Lapa. Felizmente eu sobrevivi naquela vez, e agora sobrevivi de novo.
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