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Entrevista Com Guilhermo Arriaga (2)
Por Sylvia Palma
Sylvia Palma: - Qual a maior dificuldade que você encontra quando vai adaptar suas obras para o cinema?
Guillermo Arriaga:- Eu não digo que eu adapto ao cinema minha própria obra. Sempre peço que alguém me ajude, para não ser incestuoso. Mas, o que se tem que fazer é não trair o espírito do romance, não trair o espírito da obra.
Porque se traímos, não vale a pena adaptar. Toda a adaptação, um livro, por exemplo, quando sinto que não é cinematográfico, trato de inventar essa cinematografia. Mas, de modo dramático, e não de um modo meramente visual. Procuro esse outro caminho.
Sylvia Palma:: - Como você trabalha os diálogos?
Guillermo Arriaga:- Bem, creio que os diálogos têm que ter três funções: uma dessas funções é narrativa e dramática, se não tem a função narrativa e dramática não tem muito sentido.
Outra função é a apresentação dos personagens. E a terceira que se deve usar com muito cuidado e comedidamente são as cores, são os diálogos que dão cor.
Mas, fundamentalmente, as funções básicas dos diálogos são apresentar a história e mostrar a verdade dos personagens. São essas as duas funções básicas do diálogo e sobre isso me concentro.
Sylvia Palma: - Sobre as técnicas de roteiro apresentadas por estudiosos ou especialistas como Syd Field, por exemplo. Para muitos, essas técnicas são importantes de serem estudadas, mas, para outros, não devem servir de parâmetros para a criação do roteiro. O que você acha dessas técnicas, você as usa em seu trabalho?
Guillermo Arriaga:- Acho importante conhecê-las. Eu as conheci quando já escrevia. Então, acho importante conhecê-las, mas acho também que toda história merece uma forma distinta de ser contada.
Não se podem usar fórmulas. Não se pode dizer sempre que na página 30 tem que acontecer tal coisa. E na página 60, outra coisa. Não se pode... Porque cada história é diferente da outra.
Pode funcionar para um grupo de pessoas que carecem de estrutura mental. Não é meu caso. Eu não as uso porque não tenho esse problema.
Eu posso organizar as estruturas em minha cabeça sem nenhum problema. Eu escrevi “21 GRAMAS” na ordem em que se deu, em que se passou. Eu não me perco. Escrevi naquela ordem. Não perco nada. Entretanto, há pessoas que se perdem muito facilmente, para isso serve essa estrutura de Syd Field.
Li todos esses autores, mas não os uso. Eu creio que na maior parte do meu trabalho não foram necessárias as teorias de Syd Field e de todos esses autores. Mas eu sempre recomendo aos meus alunos, vocês estudem todas as teorias de escrituras. Vocês decidam, decidam suas ferramentas, mas são ferramentas que eu não uso.
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