Entrevista Rodrigo Castilho (3)

Patricia Oriolo: Fale da indicação da série ao Emmy?

Rodrigo Castilho: A indicação ao Emmy foi um ótimo acidente. Era a nossa primeira experiência em dramaturgia na TV e ficamos muito felizes quando fomos para a semi-final. Já era muito mais do que esperávamos.

E estávamos disputando com a espetacular Amazônia! Então ficamos muito surpresos mesmo. E foi surpreendente também perceber a curiosidade e o interesse que Mothern despertou na Academia, durante os debates, lá em Nova York.

Fomos convidados por vários produtores de seriados americanos para visitarmos os estúdios deles em Los Angeles. Viajamos pra lá assim que acabou o festival. Eles nos receberam super bem, aprendemos muito e trocamos nossas experiências.

Patricia Oriolo: Como você avalia o papel do roteirista neste momento de novas mídias?

Rodrigo Castilho: Estamos acostumados a ouvir que o Brasil é um país de diretores. Que não valoriza os roteiristas. Acho que isso está em parte certo. Mas já trabalhei com muitos roteiristas que não estão abertos ao diálogo com diretor e equipe e que acham que o produtor só serve pra atrapalhar.

Eu acho que se alguém tem uma opinião pra dar ela deve ser ouvida e levada em conta. É claro que isso aumenta o nosso trabalho, mas melhora infinitamente o produto. E sempre que fazemos isso, aumentamos o espaço e o respeito à função de roteirista. E acho que isso está começando a acontecer no Brasil.

Patricia Oriolo: Que tipo de impacto você vê com a chegada da TV Digital na produção independente?

Rodrigo Castilho: Acho que a única maneira de prever o futuro é estar extremamente conectado ao presente. Outro dia eu li os resultados de uma pesquisa com jovens e eles falavam que ficar na frente da TV era perda de tempo.

Fiquei assustado até ler a continuação: eles diziam que TV só não era perda de tempo quando eles estavam assistindo algo com bom conteúdo.

Aí me tranqüilizei. Seja onde for, no celular, no computador ou no cinema, uma boa história sempre vai ter seu lugar. Acredito que essa tem que ser nossa primeira preocupação.

Patricia Oriolo: Você pretende escrever para o cinema?

Rodrigo Castilho: Por enquanto, a televisão me atrai mais por um único detalhe: o ritmo de produção.

Quando estou bolando um episódio, tem um roteirista escrevendo outro, tem outros quatro episódios sendo gravados e tem mais um indo pro ar. Esse ritmo vicia. Mas entre uma temporada e outra estou trabalhando em uma sinopse de longa-metragem.

Patricia Oriolo: Qual é o filme que você gostaria de ter escrito e por quê?

Rodrigo Castilho: Gostaria de escrever um filme extremamente simples e bonito como Meu Tio, do Jacques Tati.

Patricia Oriolo: Quais são os seus próximos projetos?

Rodrigo Castilho: Já estou fazendo a terceira temporada do Mothern, novamente com o Fabio Danesi Rossi e a Paula Szutan. E tenho mais duas séries criadas com o Luca Paiva Mello pra estrear até 2009.

 

 

 

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