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Entrevista com Marcilio Moraes - Presidente da AR (2)
Cena 1: O Projeto de Lei 256, de autoria da Deputada Jandira Feghali ficou 12 anos praticamente parado no Congresso Nacional. Este ano, contudo, deputados votaram pela apreciação do projeto no Senado. Após tanto tempo, é claro que o projeto merece ser atualizado. Mesmo assim, apesar das críticas ao texto original, muita gente acredita que a regionalização da produção televisiva vai abrir mercado em todo país, além de enriquecer o conteúdo da tevê, valorizar a cultura local, aproximar público e televisão. O que você acha desse projeto de lei? Que outros instrumentos o país dispõe para ampliar as oportunidades de trabalho de profissionais de tevê?
Marcílio: O projeto de regionalização é importante sob todos os aspectos. O Brasil é muito grande e diversificado para ter apenas uma grande rede de televisão: isso é provinciano, é atrasado, é excludente. É preciso dar voz, não só aos diversos setores da população, mas também às diversas regiões.
O mercado, por si só, não vai modificar a situação vigente, porque está viciado nesta forma. A Globo fica com 80% do mercado publicitário. O que sobra para os demais é ridículo. Mas o pior é que estes demais, em geral, se conformam muito bem com os caraminguás que lhes sobram, porque para o dono do negócio é lucrativo, e a cultura, a dramaturgia que se danem. Para mudar esta situação há que haver alguma interferência do poder público. Quase todos os deputados e senadores são proprietários de emissoras de rádio e televisão. Se quisessem mudar... O governo atual se elegeu com mil promessas de mudança, mas tudo continua na mesma.
Cena 1: Sua posição em relação à produção regional é a posição da AR? Como a Associação tem se manifestado em relação a esse tema?
Marcílio: A AR não tem uma posição oficial sobre o tema. Há pessoas inclusive que discordam do projeto de regionalização. O que defendo aqui é uma posição estritamente pessoal. Seria importante que se entrevistasse também quem tem posições divergentes.
Por não haver consenso, a associação, enquanto tal, não se manifesta em relação ao tema.
Cena 1: Para a TV Globo, que detém o monopolio da teledramaturgia brasileira, parece não interessar a descentralização da produção televisiva. Alguns roteiristas da emissora, contudo, apóiam o projeto da Deputada Jandira Feghali. De que maneira a AR pode contribuir para assegurar o direito de posicionamento profissional/ideológico de seus associados?
Marcílio: A AR é uma associação profissional livre, constituída de profissionais livres. Todo mundo pode se manifestar livremente na AR.
A AR não se intromete nas políticas internas das empresas. Mas se soubermos que algum associado sofreu qualquer tipo de sanção numa empresa por manifestar suas opiniões, evidentemente a AR vai se posicionar contra este arbítrio. Havendo ou não monopólios, não podemos admitir marcartismos ou stalinismos. O Código de Ética da AR proclama: O Código objetiva antes de tudo garantir a liberdade individual de criação do Roteirista e resguardar seus interesses profissionais, sem interferir de nenhuma forma em qualquer questão de consciência.
Defender a liberdade de expressão é tarefa precípua da AR. Quem se sentir prejudicado deve recorrer à associação, que utilizará os meios legais para proteger seus associados.
FONTE: http://www.oplanetatv.clubedohost.com/ |