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Entrevista com Marcilio Moraes - Presidente da AR (3)
Cena 1: Em maio, você esteve em Salvador, Bahia, para ministrar uma oficina de roteiro em teledramaturgia para profissionais de publicidade, teatro e cinema. Essa oficina relacionava-se ao Pólo de Teledramaturgia da Bahia, o Pote, iniciativa do Governo do Estado. De que forma você imagina que os governos (municipais, estaduais e federal) podem contribuir para a abertura do mercado do audiovisual?
Marcílio: Podem contribuir da forma que o Governo da Bahia está fazendo com o Pote, ou seja, patrocinando a formação de profissionais e contribuindo para a produção regional. Os Estados e as regiões não têm que ficar embasbacados com o que se faz nos grandes centros, têm que partir para a produção local. O Brasil oficial sempre foi o país da voz única, apesar da diversidade do seu povo. Está na hora de acabar com isso. Vamos cobrar de governadores, prefeitos, deputados, etc, que parem puxar o saco dos poderes centrais e valorizem a cultura que têm em suas regiões. Será assim que se abrirá o mercado, será assim que acabaremos com o Brasil da exclusão.
Cena 1: Acaba de ser fundada, no México, a Federación de Escritores y Directores Audiovisuales de Latinoamerica, a FEDALA. Uma das principais questões abordadas nesse encontro relaciona-se aos direitos autorais de roteiristas e diretores, que na maioria dos países latino-americanos, inclusive o Brasil, ainda recebe pouquíssima proteção legal. O que está sendo feito para assegurar aos profisisonais latinoamericanos seus direitos? Qual a posição do Brasil nesse "ranking"?
Marcílio: A FEDALA ainda é um sonho, mas o fato de ter se constituído já representa um alento. O mercado de trabalho para escritores e diretores na América Latina ainda é muito precário. Do ponto de vista legal basta citar dois fatos. Na Argentina, só agora, há um mês, os diretores conseguiram uma lei que os reconhece como autores da obra cinematográfica; no Brasil, a lei de Direitos Autorais não reconhece o roteirista como detentor de direito autoral, só o argumentista. Quer dizer que há uma longa luta pela frente. Mas no Brasil há que tomar cuidado com as leis, porque aqui é comum aprovarem-se leis que jamais serão cumpridas.
A meu ver, ao lado da luta legal, temos que fortalecer nossa associação, a AR, porque será através dela que os absurdos que hoje ocorrem deixarão de existir. No encontro no México, que criou a FEDALA, descobri que, apesar das nossas limitações, somos - a AR - a única associação latinoamericana de autores e roteiristas!
Há roteiristas trabalhando por salários miseráveis, outros não vêem seus créditos na obra, produtores e diretores pretensiosos se arvoram em autores, sem jamais terem escrito uma linha sequer, etc. Só uma associação profissional de autores e roteiristas forte pode dar fim a estes abusos.
Cena 1: É possível falar numa teledramaturgiua latinoamericana? Ou ainda, numa tendência latinoamericana de produção televisiva?
Marcílio: Acho que existe uma teledramaturgia latinoamericana.. A meu ver o que há é pouco intercâmbio. Fora algumas novelas mexicanas, venezuelanas, etc, nada se exibe aqui da dramaturgia feita nos países vizinhos. Creio que o mesmo ocorre lá. Do Brasil só vão as novelas.
Acho que há uma tendência de crescimento da produção latinoamericana, mas não disponho de dados sobre o assunto.
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