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Entrevista Newton Cannito para o site da AR (3)
Patrícia Oriolo: Como você identifica os novos roteiristas que estão surgindo e procurando cursos?
Newton Cannito: Tem muita gente boa, talentosa, que não tem oportunidade.
Patrícia Oriolo: Recentemente saiu um artigo num jornal americano dizendo que a moda agora era ser roteirista. Todo mundo estava escrevendo um roteiro... Todo mundo pode escrever um roteiro? O que é essencial para fazer a diferença?
Newton Cannito: Formação cultural em tudo. Um roteirista tem que ler muito e ver muitos filmes. Isso é o básico. O complemento é viver. O cara quem tem que ter vivencia real.
Patrícia Oriolo:Fale sobre a sua participação no documentário “Violência S.A”?
Newton Cannito: Eu escrevi e co-dirigi com Eduardo Benaim e Jorge Saad Jafet. É um Doctv, programa inovador promovido pelo MINC e TV Cultura. Fizemos o filme na época da campanha do referendum das armas. É sobre paulistas em pânico, que procuram soluções privadas (carros blindados, armas, e tudo mais) para se defenderem. Mostramos como as soluções privadas podem levar à catástrofes públicas. É um documentário de humor negro, tem um tom de filme de terror. O resto cada um deve opinar.
Patrícia Oriolo: Como é o processo de escrever para documentários?
Newton Cannito: Você tem que ter uma boa pesquisa. Uma boa estratégia de abordagem da realidade, pensada antes para as filmagens (isso o manual do edital Doctv ensina muito bem). E o roteiro é feito só após o material gravado.
Mas para ficar bom, não pode gravar sem saber o que você quer. Tem que saber a estratégia de abordagem.
Patrícia Oriolo: Como foi a criação dos roteiros para a série “Cidade dos Homens”?
Newton Cannito: Foi uma experiência maravilhosa. Fiquei um tempo morando no Rio, junto com o diretor geral Paulo Morelli e Leandro Saraiva. Fiz grandes amigos nas favelas (ou comunidades) do Rio. Aprendi muito sobre como a vivencia real, alimenta a criação. É um trabalho de entrega pessoal, de conhecer o outro, de boa antropologia, antes de tudo.
Patrícia Oriolo: Fale sobre o livro com o roteiro do filme de João Batista Andrade “O Homem que virou suco”?
Newton Cannito: Tive por anos a mania de pesquisar cinema. Fiz curadoria da obra de Domingos Oliveira, Cacá Diegues, Antonio Calmon e João Batista de Andrade. No momento estou fazendo do Maurice Capovilla. Aprendi muito com cada um desses cineastas. Sou grande fã da obra de João Batista de Andrade e considero “O homem que virou suco” um dos melhores filmes da história do cinema brasileiro. Foi um prazer editar o livro. Além do roteiro publicamos inúmeras entrevistas e reproduzimos o processo de criação. Descobrimos até um cordel que João Batista fez anos antes, que inspirou o filme. Está tudo no livro. Aí dá para entender como surge um grande filme. Um longo processo de vivencia pessoal do diretor.
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