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Entrevista Newton Cannito para o site da AR (5)
Patrícia Oriolo: Você acha que o roteirista é mais respeitado no mercado atualmente?
Newton Cannito: No mercado de televisão sim. No de cinema, não. Nos outros também não. Falam sempre que não há roteiristas. Não há porque não existe valoração do trabalho do roteirista. Nem valoração financeira nem artística. Não existe no cinema brasileiro o modelo do roteirista autor, que tem em outros países.
O roteirista de cinema é sempre um assistente do diretor. Bastam observar dois dados. Não existe filmes que partam do roteirista; eles sempre partem do diretor, o roteirista entra para ajudar. E os diretores sempre assinam o roteiro junto. Em muitos casos não escrevem uma linha e assinam. Assinam por coordenar o roteiro.
Isso é uma clara distorção. Coordenar o roteiro é tarefa do diretor, obviamente. Assim como é tarefa dele coordenar fotografia, direção de arte e interpretação de atores. Mas ele não assina fotografia e direção de arte. Mas assina roteiro. Isso é um exemplo da distorção. Não é só questão de prestígio. É salário.
Ao assinar eles dividem o cachê com os roteiristas. Ganhamos menos. Ou se começa a valorizar realmente os roteiristas no cinema brasileiro ou não teremos nunca bons roteiristas.
Patrícia Oriolo: Qual filme você gostaria de ter escrito e por quê?
Newton Cannito: Podem ser dois? Vou por dois tá? É o mínimo que consigo. “Brazil, o Filme”, de Terry Gillian. Por mostrar como o amor e o imaginário podem ser revolucionários. “Dr. Fantástico, ou como deixei de me preocupar e aprendi a amar a bomba”. Por conseguir fazer uma piada de humor negro sobre um tema contemporâneo, no caso, a Guerra Nuclear.
Garanto que essa piada conscientizou todos que assistiram para a gravidade do problema. Além de ser divertidíssima! Queria citar também “O filho da noiva” e “Eles não usam Black Tié”, mas ficaria muito grande. Queria colocar também um musical tipo French Cancan, do Renoir. Mas tudo bem, ah e um do Scolla... Ih, começou uma lista...
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