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Entrevista com Renê Belmonte (2)
Patrícia Oriolo - Alguns dizem que você é um expert em retratar o cotidiano das pessoas. Você concorda com isso e acha que é realmente o seu universo?
Renê Belmonte - Eu? Claro que não concordo. Pelo contrário, se houvesse um curso pra entender as pessoas, eu seria o primeiro a me inscrever. Escrevo sobre o cotidiano das pessoas exatamente por isso: porque não entendo. Escrevendo sobre isso, tenho a oportunidade de tentar entender, decifrar, desmistificar. Não é à toa que faço isso aliado ao humor: é com o absurdo das situações humanas, vistas com um pouco de cinismo e muita ironia, que consigo me aproximar desse universo.
Patrícia Oriolo - Qual tipo de gênero que realmente não é a sua praia e por quê?
Renê Belmonte - Hmmm, difícil dizer porque tem muitos gêneros que nunca tentei escrever pra saber se conseguiria ou não. Provavelmente não escreveria bem programas infantis, porque por trás de sua aparente simplicidade tem que ter uma didática não óbvia, um interesse sincero em abordar esse universo que não tenho, hoje... deixa eu ser pai primeiro, aí tenho certeza de que isso vai mudar...
Patrícia Oriolo - Como é o seu método de trabalho?
Renê Belmonte - Não tenho um método específico, varia muito do tipo de trabalho, do meu envolvimento e dos prazos... tá, tô enrolando. É mais ou menos assim: em geral, protelo o quanto dá – respondo e-mails, navego na Internet, jogo PS2... quando o prazo aperta, entro em pânico, sento diante do micro e varo a madrugada até terminar.
De todos os métodos que já utilizei, este é o que funciona melhor. Durante o processo de Avassaladoras – a série, experimentei me regrar um pouco, estabelecer prazos, respeitar as datas da produção e criar um esquema com os roteiristas que colaboraram comigo... também funciona, mas não é tão divertido quanto o método anterior.
Patrícia Oriolo - Você é daqueles tipos de escritores que tem cadernos e mais cadernos de anotações ou consegue se organizar no computador com pasta para "idéias"?
Renê Belmonte -Um pouco de ambos. Tenho pastas e mais pastas de idéias no meu computador. Como bom nerd que sempre fui, trabalho com computador desde 86, então são mais ou menos vinte anos de arquivos bagunçados que um dia eu juro que irei arrumar.
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