Entrevista com Renê Belmonte (3)

Patrícia Oriolo - Qual é o seu processo para construir um personagem?

Renê Belmonte - Varia, de acordo com o projeto. Gosto bastante de me inspirar em pessoas que eu conheço, é o modo mais rápido de enxergar o personagem. Outras vezes eu tenho que pensar a “frio”, racionalmente: vejo o tipo de personagem que a história precisa e vou pensando nas características dele. Mas o mais comum é eu pensar apenas num fiapo de construção – uma descrição que cabe numa linha, só um ponto de partida – e então eu começo a escrever e deixo o personagem falar por si mesmo, deixo ele me dizer como ele é. Já aconteceu várias vezes de eu pensar o personagem de um jeito e quando começo a escrever os diálogos descubro que ele é completamente diferente. E aí é ele quem manda.

Patrícia Oriolo - Você é responsável por um dos grandes sucessos atuais do cinema nacional "Se eu fosse você?", como nasceu a idéia do filme?

Renê Belmonte - Na verdade sou apenas um dos responsáveis. A idéia original do filme é do Carlos Gregório com o Roberto Frota, eles que são os culpados. Eu entrei depois, e o que me encantou no projeto foi que, apesar da falta de ineditismo no tema, havia uma abordagem bem brasileira, uma voz muito clara e atraente.

Patrícia Oriolo - Quantos tratamentos de roteiro o filme teve e por quê?

Renê Belmonte - Ih, pergunta complicada essa. O roteiro teve, ao todo, dez tratamentos, embora os seis primeiros tenham sido outras versões da história, que não funcionaram por diversas razões. Eu entrei no projeto com a tarefa de montar um roteiro novo, aproveitando o que havia de bom nessas versões anteriores.

Por uma semana me reuni com o Daniel Filho, discutindo os pontos-chave da história, e apresentei uma estrutura que agradou a todos. A partir daí montei uma escaleta, e a Adriana Falcão abriu os diálogos de boa parte das cenas, deixando as cenas “masculinas” para mim.

O tratamento que ela fez, então, foi o sétimo. Peguei esse tratamento e escrevi as cenas restantes, ao mesmo tempo em que repassei o roteiro como um todo, mexendo nas cenas que não fui capaz de deixar claro na escaleta mas que sabia como poderiam ficar. Este foi o oitavo tratamento. Entreguei pro Daniel, que fez as mudanças dele e acrescentou alguns diálogos, nono. Tivemos uma leitura com todo o elenco e equipe, e com base nisso fiz os ajustes que geraram o décimo e último tratamento.

 

 

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