Entrevista com Renê Belmonte (5)

Patrícia Oriolo - Avassaladoras, a série, não alcançou o sucesso esperado. Como você avalia a produção?

Renê Belmonte - Eu podia sair destacando todos os defeitos e problemas que a série teve... e ficar horas falando a respeito... mas a verdade é que a produção foi o mais competente que podia, diante das limitações que teve.

Foi uma tentativa de fazer algo novo, fora dos moldes normais, e nesse sentido acho que o resultado foi muito positivo. Muitas coisas atrapalharam – a imprensa foi especialmente hostil, e suspeito que nem o melhor programa do mundo a faria elogiar a série.

Para piorar, os primeiros episódios tiveram problemas, principalmente por causa de uma edição equivocada, que foi corrigida a partir do 5º episódio. E a verdade é que desde então os episódios só têm melhorado, inclusive devido à evolução natural de direção, elenco e textos.

Não sei se alcançou ou não o sucesso esperado, porque nenhum dos responsáveis esperava nada específico, justamente por causa da falta de parâmetros. A série tem dado uma média de seis pontos, com picos de dez. Para uma série que vai ao ar quase à meia-noite de uma segunda-feira, é uma ótima audiência. Que, aliás, já chegou no 2º lugar.

Na Fox, onde passa às 9 da noite, é um sucesso absoluto, dá quase o dobro do que dava Sex and the City no mesmo horário. Mas ninguém fala nisso, claro. Está fazendo bastante sucesso em Portugal. Tem uma comunidade animada no Orkut, que não pára de crescer e que comenta cada episódio. Quem está assistindo tem gostado cada vez mais. Então eu acho que valeu.

Patrícia Oriolo - Qual é a sua avaliação sobre esse momento que vive a teledramaturgia brasileira?


Renê Belmonte - Muito bom. A Record chegou com um projeto sólido e de longo-prazo, criando uma concorrência que a Globo nunca teve que enfrentar antes. E o melhor de tudo é que isso fez com que as outras emissoras “acordassem”. Praticamente todas as outras emissoras abertas e até algumas fechadas estão produzindo ou com planos de produzir dramaturgia nacional. O mercado nunca foi tão competitivo, o que além de gerar mais oportunidades para os profissionais da área também certamente faz com que a qualidade geral tenda a melhorar.

 

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