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Entrevista com Ricardo Linares
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Ricardo Linhares |
Ricardo Linhares é um dos mais importantes roteiristas do Brasil. Nesta entrevista, seu talento é revelado com generosidade. É também uma aula de criação e inspiração.
Patricia Oriolo: Conte nos como começou a sua carreira?
Ricardo Linhares: Eu comecei a trabalhar em televisão aos 19 anos, em 1981, na TVE. Na época, fazia faculdade de Comunicação na ECO, UFRJ. Conheci Ana Gouveia, produtora de programas educativos. Foi um encontro decisivo na minha carreira, embora casual: éramos colegas num curso de inglês. Desde os 16 anos, eu escrevia peças de teatro (algumas foram premiadas pelo extinto SNT, Serviço Nacional de Teatro).
Mostrei meus textos para Ana, que me convidou para trabalhar como roteirista de um novo projeto chamado Qualificação Profissional, do qual era produtora. Eram dramatizações de 30 minutos direcionadas aos professores primários. Entre outras atrizes, Cássia Kiss fazia uma das professoras, e Vera Holtz, uma das mães. Ao longo de uns quatro anos, escrevi mais de 200 programas. Foi assim que comecei a me familiarizar com a linguagem de televisão.
Eu sou péssimo para datas, mas acho que foi por volta de 1982 que Doc Comparato lançou o seu primeiro curso de roteiro, na CAL. Até então, acho que não havia nenhum curso específico para roteiristas de televisão.
A CAL estava abrindo as portas e o curso do Doc foi o inaugural. A partir das aulas, Doc escreveu o seu primeiro livro, que foi um tremendo sucesso, gerou outras obras e até hoje é referência entre os escritores. Foi um excelente curso, onde aprendi muito e fiz vários amigos.
Uma das tarefas finais do curso era escrever um Caso Verdade. Na época, era um programa muito popular, da Globo, que ia ao ar no horário que hoje é ocupado por Malhação. Contava uma história dividida em 5 capítulos de 30 minutos, de segunda à sexta-feira.
Trabalhávamos com uma trama principal e duas ou três paralelas. Um excelente formato, que infelizmente não produzem mais. Era baseado em cartas enviadas pelos espectadores, quase sempre abordando doenças, histórias de superação, luta, vitória e redenção.
Tínhamos que concorrer com O Povo na TV, programa mundo-cão de grande audiência, não me lembro de qual emissora. Doc havia solicitado algumas cartas à produção do programa e cada aluno do curso escolheu uma história para roteirizar. Eu escolhi a história de uma mulher que descobria ser epilética e lutava para conviver com a doença.
Sem nos contar, Doc levou alguns roteiros para a produção do programa, e o meu foi selecionado para ir ao ar. Quem fez a protagonista foi Margareth Boury, que hoje assina a bem-sucedida Alta Estação, na Record. A partir desse programa, eu escrevi vários Casos Verdades.
Eu trabalhava como freelancer na TVE e na Globo, e ao mesmo tempo ainda fazia faculdade. Sou formado em Jornalismo, mas nunca exerci a profissão. Só trabalhei em jornal durante um curto estágio num suplemento cultural O Dia, por volta de 1981.
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