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Entrevista com Ricardo Linares (2)
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Ricardo Linhares |
Sempre fui curioso por novidades. Queria saber como era estar do outro lado dos roteiros, atuando. Nessa mesma época, fiz dois anos de Tablado e depois alguns cursos com Sérgio Brito. Definitivamente, ser ator não era a minha praia, mas foi uma experiência sensacional.
O diretor-geral do Caso Verdade era Paulo José, que me convidou para participar da primeira Oficina de Humor da Globo. Na época, havia carência de escritores especializados em humor. Um dos professores foi o saudoso Mário Wilson, pai do nosso colega Mauro Wilson.
Durante as aulas, nós escrevíamos textos e esquetes para vários programas da casa, como exercício. No final do curso, fui contratado para trabalhar como redator do “Viva o Gordo”, na equipe de Max Nunes e Hilton Marques. Acho que estávamos em 1983.
Isso foi muito importante pra mim: tinha uns 21 anos, deixei de ser freelancer e passei a ser contratado! Durante uns quatro anos, trabalhei simultaneamente nos três programas: Qualificação Profissional, na TVE, e Caso Verdade (que depois mudaria de nome para Tele-tema) e Viva o Gordo, na Globo. Por volta de 1987, acho eu, a Globo lançou a Casa de Criação Janete Clair, espaço importantíssimo para os escritores se encontrarem, encaminharem projetos, discutirem idéias.
Uma das primeiras atividades da Casa de Criação foi um curso para formação de novos escritores de novela, o primeiro curso do gênero criado por uma emissora de televisão. Um dos professores era o querido Flávio de Campos, que depois faria inúmeras oficinas de sucesso na Globo, lançando excelentes escritores, que hoje estão no ar escrevendo em diversas emissoras. Entre meus colegas de curso, havia Ana Maria Moretzsohn e Márcia Prates.
Na Casa de Criação, conheci Aguinaldo Silva, que me convidou para ser seu colaborador na novela O Outro. Foi assim que ingressei nas novelas.
Para dar dedicação exclusiva ao curso de novelista, eu tive que sair do Viva o Gordo e da TVE, por falta de tempo. Continuei apenas escrevendo esporadicamente no Tele-tema.
Eu acredito na importância de cursos e oficinas. Fiz vários, em diferentes fases da minha carreira, e todos foram fundamentais na minha formação, não só em termos de aprendizado, mas também nas amizades e troca de idéias.em fez a protagonista foi Margareth Boury, que hoje assina Alta Estação. Anos depois de ter feito o curso do Doc como aluno, eu voltei à CAL, dessa vez como professor. Dei oficinas de roteiro que foram muito gratificantes.
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