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Entrevista com José Carlos Sibila (2)
Patricia Oriolo: Como avalia o papel da Associação dos Roteiristas no atual momento?
José Carlos Sibila: Creio que estamos evoluindo, embora falte uma boa caminhada até chegarmos a um porto seguro para todos os associados e para aqueles que vierem a se juntar a nós. A administração do Marcílio tem sido um exemplo de democracia e possibilidade participativa, mas às vezes eu sinto que os próprios associados poderiam se envolver mais, organizando palestras e debates em universos diferenciados, como em entidades de bairros, sindicatos, escolas e instituições públicas e privadas de tal maneira que popularizasse a idéia das possibilidades criativas e das estruturas de cada suporte.
Precisamos nos encontrar mais, beber mais vezes juntos, um abrindo oportunidade para o outro, como a história do macaquinho amigo, em que o que está no galho de cima dá a mão para o que está logo abaixo e o coloca acima. O que foi colocado no galho de cima, depois, pega o que ficou em baixo e o coloca ainda mais em cima e por ai vai.
Cada associado que tiver oportunidade de representar a associação em algum evento ou produção deveria fazê-lo, é claro que com a devida concordância da diretoria e colocando o “carimbão” da AR na representação.
Patricia Oriolo: Levando em consideração a técnica, quais as principais diferenças que você vê entre o texto para o teatro e roteiro de cinema ou TV?
José Carlos Sibila: Evitando qualquer academicismo e levando em conta o meu processo de trabalho, sem querer transformá-lo em regras, até porque não acredito nelas, sempre considero que a literatura está num ponto extremo do espectro e o teatro ocupa o lado oposto.
Entre os dois situam-se o cinema e a televisão. Na literatura impera a narrativa, no teatro eu procuro evitar a narrativa, preferindo o que chamamos “momento presente de cena”, ou seja, a trama tem que ser vivida pelos personagens e não contada. O cinema e a televisão (Ficcional) caminham tanto pelo narrado como pela ação presente.
Quando escrevo para cinema ou TV, faço com que os personagens conduzam a trama. Uma vez esgotadas todas as possibilidades dos personagens, eu começo a incluir elementos narrativos que complementem as necessidades da trama. Mas, eu prefiro que os personagens se virem sozinhos.
Praticamente escrevo uma peça, antes de estruturar o conteúdo como roteiro. Parece-me que o texto teatral é mais um corte num momento específico, enquanto o cinema e a TV se aventuram nas possibilidades do tempo e do espaço.
Mas literatos brilhantes como Vargas Lhosa, Neruda e Kafka me contradizem com melhor brilhantismo e invertem tudo o que eu falei. Há peças de teatro, raras é bem verdade, que ousaram com sucesso trilhar o caminho narrativo. Alguns contos do meu segundo livro, Criaturas, foram lidos por atores e quase dispensamos as rubricas de ação, pois o universo narrado se incluía no desempenho dos personagens e nada mais era necessário dizer dele.
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