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Entrevista com José Carlos Sibila (4)
Patricia Oriolo: Que momento vive o teatro brasileiro na sua avaliação? Já virou questão recorrente dizer que faltam roteiristas no Brasil – sabemos que falta trabalho – mas também é tema recorrente dizer que não existem bons textos para o teatro de autores nacionais. Você concorda com isso? Por que esse pensamento impera?
José Carlos Sibila: Do ponto de vista comercial, as peças que apresentam em seu elenco atores de sucesso em novela, parecem fazer boa bilheteria. Contudo, o público não vai ao teatro para conhecer o texto, para ver uma performance do ator. Ele vai ver apenas, ao vivo, o personagem da novela em cartaz.
Como empreendimento comercial é uma boa perspectiva. Outro dia fui ver uma peça com uma atriz do primeiro escalão das novelas. Como cheguei em cima da hora, mesmo com convite, quase não consegui entrar de tanta gente.
Foi um dos piores trabalhos em teatro que eu já vi. Um horror. Mas que importa. Lá estava ela, como se estivesse saindo da tela diretamente para o palco. Quem goste que compre. Mas por outro lado, tenho ficado impressionado com o vigor, ou o renascimento não sei, da atividade teatral não só nas capitais, mas pelo Brasil adentro.
Muitos teatros que foram fechados nos anos 60/70 estão sendo reabertos. Grupos novos fazendo trabalhos de boa qualidade. O próprio poder público já está começando a entender que o problema do país não é apenas a educação, mas a cultura (A falta dela) no seu aspecto mais abrangente.
Não sei se estou sendo um pouco otimista, mas gosto do que estou vendo. Quanto ao tema que é a origem da sua excelente pergunta: creio que é argumento de quem não quer fazer nada e desmerece o outro para justificar a própria incompetência.
Sabemos da qualidade dos nossos roteiristas, dramaturgos, autores. O mundo reconhece isso. Acontece que o nosso produto nem sempre é bom de venda e pelo caminho que o país está tomando, o que não vende não presta. É uma pena, pois, fazendo uma consulta rápida na nossa Associação, podemos ver que o argumento da falta de textos é inconsistente.
Patricia Oriolo: Como avalia o apoio do Estado aos autores brasileiros?
José Carlos Sibila: Avalio que é ruim. Mas o que eu estou tentando saber é “porque é ruim”. Muitos autores, compositores, cineastas, atores que já estiveram do lado do produtor de conteúdo, hoje estão no Governo.
São pessoas de confiança, da mais alta competência e de um passado que atesta a qualidade de realização e compromisso deles com a cultura Nacional. Mas ao assumirem os postos em todas as esferas da administração, não conseguem desenvolver políticas públicas eficientes.
Não por incompetência, pois são pessoas da melhor qualidade. Talvez a cultura não tenha importância suficiente para enfrentar o lobby que impede o desenvolvimento da produção brasileira. Eu me lembro quando um curta-metragem meu foi distribuído junto com um longa estrangeiro chamado Tubarão.
Pela lei do curta-metragem eu teria direito a cinco por cento da renda da sala em que meu curta estivesse sendo projetado, junto com Tubarão. Eu não saberia nem contar quanto seria cinco por cento do Tubarão e estava muito satisfeito. Não durou muito tempo e a lei do curta foi abandonada.
Cinco por cento era muito dinheiro para que os tubarões abrissem mão. Resumindo, eu acho que falta foco para o projeto de país. Sem cultura, não adianta desenvolvimento, petróleo, exportação, educação formal etc. Não saberemos o que fazer com isso. A minha campanha é CULTURA JÁ.
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