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Entrevista com José Carlos Sibila (5)
Patricia Oriolo: Como você vê o papel do autor diante da TV Digital?
José Carlos Sibila: No começo do ano eu estive em um encontro no Ministério Público, em São Paulo representando a então ARTV. O assunto era TV Digital. No encontro estavam os representantes da Siemens (Que defendia o padrão Europeu), do padrão Japonês, representantes de associações de classe, ONGs e promotores de justiça.
Na minha participação levantei a questão (O debate é proibido nesses eventos) do porcentual de nacionalização do conteúdo a ser exibido no padrão digital. Como não havia a dinâmica de perguntas e respostas, ficou valendo apenas a minha pergunta. Mas pelos argumentos apresentados pelos demais participantes, ficou muito claro que o conteúdo Nacional na TV Digital é um mero detalhe.
O que importa é o quanto vai gerar de negócios e qual a tecnologia mais abrangente. De qualquer forma, em função da demanda maior de conteúdo na TV Digital, creio que o mercado para roteiristas vai se ampliar e muito. Agora, o que vão colocar lá dentro é outra história.
Patricia Oriolo: Se fosse escrever uma novela, quais os elementos que não gostaria de explorar?
José Carlos Sibila: Não excluiria nenhum. Acho a novela um excelente painel para apresentar fatos. Talvez eu insistisse mais em mostrar alguns mecanismos de exercício da cidadania que estão esquecidos ou mesmo são ignorados pela população.
Por exemplo, quando eu fui ao encontro da TV Digital no Ministério Público, descobri que nós não sabemos para que serve o Ministério Público. Creio que as novelas poderiam prestar um serviço à cidadania mostrando um pouco desses mecanismos.
Claro que não daria para aprofundar muito, mas pelo menos mostrar que existem alguns mecanismos de prestação de serviços que podem ser ativados pela população.
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