Entrevista com José Carlos Sibila (6)

Patricia Oriolo: Como você avalia o momento que a teledramaturgia brasileira vive?

José Carlos Sibila: O momento é importante, decisivo e isso só vem aumentar a responsabilidade de associações como a nossa. Vejo dois grupos distintos de autores com atividades muito interessantes. Um grupo procurando abastecer o cada vez mais solicitante mercado audiovisual e está mostrando a sua competência e compromisso com a apresentação de produtos que contemplem a lógica desse mercado.

Estão ai as novelas disputando espaços nas redes abertas, as mini-séries, os filmes para distribuição simultânea no cinema e na TV, as leis de incentivo etc. De outro lado, há um grupo de autores que caminha à margem do mercado e desenvolve textos de excelente qualidade, com aprofundamento de conteúdo, propostas de novas linguagens.

Quando houver maior exposição desses autores que mergulham fundo nos mistérios da vida, o Brasil exibirá um excelente acervo de textos. Nesse sentido, acho muito importante as Leituras que se multiplicam pelo país, abrindo espaço para os textos desses autores, que dificilmente chegarão ao mercadão.


Patricia Oriolo: O que considera essencial em um bom texto?

José Carlos Sibila: Para o caso específico da ficção, gosto dos textos que equilibram emoção e razão. Que a trama caminhe entre a horizontalidade da estória e a verticalização de alguns conceitos.

Patricia Oriolo: Em “Cartas a um jovem poeta” Rilke aconselha a nunca ler estudos teóricos. Qual a importância que você vê na formação teórica do escritor?

José Carlos Sibila: Não sabia que Rilke tinha dito isso. Aliás, Maria Vargas Lhosa, em “Cartas a um jovem escritor”, da editora Alegro, também falou a mesma coisa. Eu concordo, Só acho que o Rilke não deveria transformar seu pensamento em conselho.

Patricia Oriolo: Qual o filme que gostaria de ter escrito e por que?

José Carlos Sibila: Noite América. Acho a estrutura narrativa perfeita. Os personagens conduzem a trama e de tempos em tempos o François Truffaut se enfia no meio do filme e nos dá uma aula de cinema. É um caso raro de um crítico de cinema que se transformou num grande cineasta.

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