A Arte de Fazer Comédia (2)

Antes de analisarmos uma piada, vamos ver a situação contada de ma maneira incômoda para os olhares de uma beata. Imagine o que seria para uma carola, dentro da igreja, antes da missa matinal, onde o padre estivesse ministrando o sacramento da confissão e um bêbado entrasse na igreja para hostilizar a todos. Contando a situação na forma em que eu via o humorista Costinha contar, em forma de piada, era algo assim:

Estava o padre lá dentro do confessionário, dando a confissão antes da missa. No que entrou um bêbado na igreja e começou a grita: “Eh, pessoal! Vamos prá uma festa? Tou indo e quero levar vocês, vai ter cachaça, mulher pra cacete, vai ter cachaça, vai ter torresmo, negócio lá vai ser bom e quem não for vai perder!”

Assustado, o padre colocou a cabeça para fora do confessionário para ver o que estava acontecendo, ao que o bêbado lhe disse: “E você que tá cagando aí, também tá convidado. Mas ver se desimpede logo pois a fila tá grande!”

Ao analisarmos o teor da piada vamos levar em consideração duas coisas, o protagonista e o ambiente.

Na piada citada, o protagonista é um bêbado, indivíduo que por si só já é motivo de graça por estar sempre fora da realidade, não tem consciência dos seus atos, não faz distinção alguma do certo ou do errado.

O protagonista é justamente o núcleo do humor, e é exatamente o maior desafio dos humoristas. E justamente através do seu perfil psicológico que iremos extrair a essência do riso.

Basta pegar as contradições que um determinado tipo pode confrontar com a vida cotidiana para que o humor venha a fluir normalmente.

É justamente a partir daí que os redatores de humor retiram a essência para provocar risos no espectador, tal qual se pode ver em programas como A PRAÇA É NOSSO ou no extinto ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO.

Vejamos os outros tipos mais comuns que aparecem nas piadas do cotidiano e o ponto fraco da sua personalidade que destoa do cotidiano e faz rir:

CAIPIRA 

O seu jeito humilde e ingênuo de encarar uma realidade bem distante do meio rural onde vive mas, por outras vezes, a sua ingenuidade é apenas uma aparência, no fundo tem sempre um jeitinho pra tudo, inclusive para se livrar da sagacidade do homem urbano. De um modo geral o caipira é sempre visto na pele de um mineiro ou nordestino.

PADRE     

Exatamente por serem adeptos de uma filosofia moralista e contrária aos prazeres da humanidade, estes costumam ser vistos como ingênuos ou vítima de tentações, contrário ao que pregam. Entretanto, pelas notícias que temos hoje em dia, a própria igreja o quando os padres andam tão pra frente que até piadas deles já perderam a graça.

PAPAGAIO      Exatamente por ser uma ave canora, capaz de falar como os humanos, mas não tem nenhum compromisso de ética com as pessoas que o cercam. Na verdade não fala outra coisa a não ser repetir o que escuta mas, na imaginação dos piadistas, ele raciocina e fala o que não deve, o que as vezes ninguém quer ouvir.

 

 

 

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