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AR marca presença na reunião do Conselho Internacional de Criadores Dramáticos, Literários e Audiovisuais. (2)
Marcílio de Moraes
Vale a pena ressaltar que foi a Internet que possibilitou a união e a organização dos autores-roteiristas. Durante décadas, estes escritores se mantiveram isolados, cada um cuidando do seu trabalho. Com o advento da internet. começou a haver contato entre profissionais que passam a maior parte do seu tempo diante do computador.
Deste, até então, inédito contato, surgiu a idéia e a oportunidade de se formar uma associação. No início o objetivo era fazer um núcleo de autores da tv Globo, mas logo evoluímos para a concepção de uma entidade mais geral, que congregasse todos os autores-roteiristas, não só de televisão mas de cinema, etc.
Um dos aspectos mais importantes deste movimento foi dar ao autor-roteirista uma dignidade intelectual, uma identidade profissional distinta da empresa para a qual trabalhavam. Hoje somos antes de tudo autores- roteiristas independentes, dramaturgos do audiovisual e não apenas contratados ou funcionários da TV A, B, ou C.
Criada a associação, começamos a discutir quais eram nossas reivindicações mais importantes. Constituímos então várias comissões: uma para elaborar o Código de Ética da associação. A frase de abertura deste Código é o que melhor define o que é a AR: Diz lá: "É das visões e dos sonhos dos Autores e Roteiristas que a televisão, o cinema e demais tecnologias e meios eletrônicos de difusão audiovisual existentes (e por inventar) adquirem vida.
Essas visões e sonhos se materializam no texto escrito, por cuja dignidade e valorização a AR se propõe a lutar."
Esta referência à importância decisiva e fundamental do texto escrito é extremamente oportuna. Ontem, aqui neste seminário, se falava no produtor como um dos autores da obra audiovisual. Achei graça. É um completo absurdo. Como novelista, já devo ter escrito talvez uns três mil capítulos na minha vida. Algumas vezes atrasei a entrega por alguma razão.
Eu lhes digo, é uma cena digna de se ver quando a produção de uma telenovela, e também de um filme ou qualquer obra de teledramaturgia, de repente se vê sem um texto escrito que lhe indique o que fazer. Eles ficam inteiramente perdidos, desesperados, batendo cabeça. Sem o texto escrito não acontece nada no audiovisual
E quem cria o texto escrito é o autor-roteirista. Ele sim é o autor primeiro. Como diz nosso Código de Ética, é das suas visões e dos seus sonhos que a obra audiovisual adquire vida.

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