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Modelos de produção do cinema em discussão (2)
Roberto Faria
O mais importante nesta minha proposta é que um Adicional de Renda de 100%, que certamente estimularia o investimento privado, custaria pouco e devolveria ao cinema nacional sua liberdade de expressão.
Hoje, dependemos de comissões que decidem antes quais filmes receberão os incentivos e merecem ser feitos. Os produtores buscam agradar a essas comissões, ou às empresas que têm imposto de renda a pagar e podem investir no cinema brasileiro.
Como eu dizia, sairia barato: um adicional de renda de 100% custaria menos de 20%, na verdade 10% da soma hoje aplicada no setor por meio de incentivos fiscais oferecidos antes e que resultam numa imensa quantidade de filmes que sequer chegam às bilheterias.
Para quem não sabe, a renda de um filme é dividida da seguinte forma:
- Renda total 100% .
- Descontos de impostos.
Sobram X, que viram novamente 100%.
- metade para o exibidor,
- metade para o produtor.
A metade do produtor vira novamente 100% destes, o distribuidor leva 20 a 25%. Do que sobra, são descontadas as despesas de lançamento, cópias, publicidade.
O produtor fica com a sobra, que significa de 12% a 15% do que o filme fez lá atrás, daqueles 100% iniciais
São gastos anualmente pelo menos 200 milhões de reais na produção. 20% desses recursos são 40 milhões. A receita de todos os filmes de 2004, parte do produtor, foi de 22 milhões de reais, portanto, 40 milhões triplicaria a renda do produtor que acredita no cinema brasileiro, dando a ele condições de reinvestir e caminhar com suas próprias pernas, dependendo de sua relação com o público. Este ano, por exemplo, a renda de todos os filmes nacionais somada não chegará a 10 milhões.
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