Modelos de produção do cinema em discussão (3)

Um Adicional de Renda igual aqueles 100% da parte do produtor na renda de bilheteria custaria ainda menos e daria um impulso enorme ao cinema brasileiro, evitaria a burocracia hoje instalada para examinar as contas dos produtores porque o incentivo com recursos públicos atualmente vem antes do filme ser feito.

Se os filmes forem produzidos com recursos privados, não haverá necessidade de saber quanto custaram e passa ser questão exclusiva da contabilidade das empresas. Os cineastas teriam de volta a plena liberdade de escolha dos seus filmes, haveria estímulo ao investimento no setor e tudo isso custaria menos de 20% dos recursos hoje empregados na produção - sem contar os custos da Ancine e seus funcionários, que poderiam ser bem menores por não ser necessária tanta burocracia.

Como o investimento seria privado, certamente os custos dos filmes baixariam por não contarem com incentivos a priori. Na sua maioria, os jovens que hoje fazem cinema não são mais ricos nem mais pobres dos que fizeram o Cinema Novo na década de 60.

Eles empenharam a casa dos pais, o apartamento da tia, a bicicleta, comeram sanduíche, passaram noites sem dormir, fizeram filmes rápidos e inteligentes e não ficaram devendo nada a ninguém.

O Adicional perdeu-se na história, nos tempos da Embrafilme e nunca mais foi retomado. Pena porque era o mais justo incentivo que o cinema brasileiro já teve.

Hoje a produção dos filmes conta com incentivos federais da Lei Rouanet, da Lei do Audiovisual, do BNDES da Petrobrás e algumas estatais. Há incentivos diretamente concedidos pelo MINC, há estaduais e municipais, além de investimento aplicado pelas Majors, através de renúncia fiscal do governo federal.

Há quem diga que a simples substituição do sistema atual pelo que proponho paralisaria o cinema brasileiro porque ninguém investiria. Para não abandonar minha proposta por esse motivo, imaginei uma fusão, uma convivência por um ou dois anos das duas formas, até nos livrarmos do atual sistema.

Ao produzir um filme, quem se utilizasse um incentivo fiscal antes só teria direito a 50% do Adicional de Renda, quem utilizasse 2 incentivos, teria apenas 25%, até nenhum adicional. Mas o importante seria começar a mudar o que me parece insustentável ao longo do tempo.

Basta que a imprensa se dê conta do que vocês estão discutindo aqui, aliada à tradicional admiração pelo cinema estrangeiro e o complexo de subdesenvolvido que paira sobre a cabeça de muitos de nós e o cinema brasileiro estará com os dias contados. Uma canetada acaba com ele, como aconteceu nos tempos do Collor.

Para finalizar, uma das dificuldades de implantar minha proposta é convencer à Receita Federal, ao Ministério da Fazenda, ao Governo Federal, que disponibilizar no orçamento, através de uma Lei, os recursos para o Adicional de Renda é melhor e muito mais barato que oferecer renúncia fiscal e incentivos às empresas para descontarem do imposto de renda a pagar, os investimentos feitos em cinema.

A Receita é contra e falta vontade política, além da inércia dos cineastas que estão contentes com o atual status quo...
A quem teve paciência de ler até aqui, meus agradecimentos.

Abraços.

Roberto Faria

 

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