Ei você: esperava encontrar palavras açucaradas neste espaço? Aqui não vai encontrar.
Não tô nem aí para a sua frustração, porque detesto a docilidade, as maneiras politicamente corretas de ser.
Realmente, não nasci para a melosidade. Nem sei se tem esta palavra e não me interessa saber. Agora se tem uma coisa aqui dentro que grita alto e está afiada igual espada de samurai, é a minha raiva – um fogo que insiste em chamuscar quem quer que se aproxime de mim e me contrarie.
Aliás, contrariar me lembra agir contra o meu modo de ver e controlar as coisas e, se você pensa em tomar conta da situação, taí uma coisa que não permito de jeito nenhum.
Este termo “controlador” só funciona comigo no comando; caso contrário não respeito muito às regras do jogo e exagero no desrespeito e na oposição.
Quer saber: faço tudo o que me dá na telha, e quando estou com raiva – e tem gente que passa sem ela, como é possível! – meu desejo é incendiar reinos, impérios e civilizações inteiras. Um genocídio pode atravessar a minha mente quando as labaredas estão queimando alto, mas aí é o extremo do extremo do extremo, plagiando o mano Caetano.
Aliás, mano nada. Não tenho mano. Meus irmãos tiveram tratamento diferenciado e eu fui posto no mundo para ralar e me virar sozinho. Por isso, palavrinhas adocicadas comigo só se eu estiver por cima de você, se é que me entende!
Bato na mesma tecla: tenho ódio de quem me contraria. E desde pequenininho isso vem acontecendo. Não era nem para nascer, e acabei surgindo neste mundo cão. Logo de cara deram uns tapas na minha bunda e disseram palavrinhas meigas: “Que menininho lindo!”.
Lindo o escambau! Um bichinho feio toda vida com um rio de sangue ardendo na cabeça vermelha pelada e vem me falar uma mentira deslavada dessas... Por isso não dá para confiar em ninguém. Desde o nascimento. Depois, então, piorou. A menos que se mostre forte igual a mim.
A sorte é que de tanto ralar sozinho, virei um touro, grande, robusto e destemido. Satisfação para mim é fazer os outros comerem na minha mão, obedecerem às minhas ordens, seguirem aquilo que eu acho certo, e aqui incluo, é claro, aquilo que é mais que certo eu querer: realizar os meus desejos “orgiásticos”.
Mas mesmo fazendo o que me dá na telha, parece que não me livro da insatisfação, desse ódio queimando as artérias que levam nitroglicerina para o meu cérebro. Eu disse cérebro?
Sei lá, tem gente que me diz que sou descerebrado, por isso fico ainda com mais raiva do mundo. Sinto ódio, isso sim. Para confiar em alguém, tenho que encostar o sujeito na parede e gritar com ele cuspindo na sua cara. Se ele tiver reação à altura, bem, daí posso pensar em começar a respeitá-lo, com sorte até confiar. O braço é de ferro. Sou assim mesmo. Se você não gostou, fica na sua senão o pau come. Esse é o meu lema e tenho dito.
É fácil registrar um roteiro no site do Writer's Guild of America. Basta ter um cartão de crédito. Eles armazenam uma cópia em qualquer formato (doc, rtf, final draft, screenwriter, txt ou html) e geram um
recibo eletrônico com o número do seu registro.