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PSICANÁLISE DO TIPO DE PERSONALIDADE
- PERSONAGEM "DADOR" (2)
Felipe Moreno
A propósito disso, por fazer parte do centro de inteligência emocional, o "Dador" tem na "identificação" com o outro a mola mestra de sua permanência no mundo das relações, pois a forma de operar mentalmente inclina-se à questão típica de seu tipo: "com quem estou me relacionando? Ele (a) precisa do meu auxílio, então de que forma conquistar o seu amor com o meu ato de dar?"
Do ponto de vista freudiano, podemos dizer que o "Dador" construiu um ego cujo "eu" se reproduz em vários "eus", um para cada pessoa de interesse do tipo, o que o inclina à vida relacional dos sentimentos e dos interesses que possam estar em jogo. Isto significa dizer que os impulsos de vida que mobilizam o tipo estão voltados para fora, para o outro, para o grupo, para cada relacionamento importante criado e mantido pelo "Dador" ao longo de sua vida.
As principais características encontráveis nos "Dadores" mostram que eles são afetuosos, manipuladores, zeladores, salvadores, alimentadores, conselheiros, voluntariosos, dadivosos, orgulhosos, mas, logicamente, não necessariamente possuindo todas elas.
Diríamos que são "marcas registradas" neste tipo de caráter, com alternância e potencialidade entre uma e outra peculiaridade acima assinalada.
No entanto, o aspecto que salta aos olhos é a sua sensibilidade aguçadamente manipulatória que parece estar no núcleo do Dador, ao fazê-lo perceber as carências e limitações das pessoas queridas, o que o coloca então a postos para suprir-lhes as necessidades e desejos, de forma a obter, implícita ou explicitamente, a aprovação e o afeto delas.
Para um roteirista, ter um personagem Dador à sua disposição é o mesmo que poder atribuir características mitológicas do Generoso Pai ou mesmo da Mãe Provedora a um de seus personagens, de maneira que o público possa ver a dinâmica operante no jogo de dar, de presentear, de educar pela troca amorosa.
Sendo assim, podemos afirmar que um personagem deste tipo de personalidade faria alguma coisa ou praticaria uma ação porque numa "segunda intenção" teria o desejo ou a necessidade de receber amor e ser percebido em sua importância. Mas, convém lembrar, esse jogo quase sempre é inconsciente.
Quer dizer, o "Dador" dá para ser amado. Identifica-se com alguém e oferece um "eu" especial para aquela pessoa. A empatia é total e multifacetada, porque para cada pessoa, um "eu" diferente, secundário e amplamente disponível está ao dispor do amado. É como se o "Dador" abrisse uma portinha de seu coração "altruísta" para cada um a quem ama, para que este ocupe o lugar de seus sentimentos e necessidades verdadeiras.
Ainda sobre as peculiaridades do tipo, lembramos que muitos com esse traço principal de caráter nutrem o paradoxo de tentar manipular a troca com o outro, porém sempre exigindo sua própria liberdade. Há, ainda, aqueles que são dependentes do parceiro e que fazem tudo para agradá-lo (a).

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