PSICANÁLISE DO TIPO DE PERSONALIDADE
- PERSONAGEM "DADOR" (3)


Já em termos do que pode interessar a um roteirista ou dramaturgo, a formação do Drama no tipo "Dador" estaria próximo da seguinte idéia, como se um personagem desse caráter dissesse algo assim na sua intimidade:

"Como faço para dar esse amor para alguém que ainda não conheço se não sei se ele (a) vai gostar" - ou então visto numa outra roupagem, o tipo poderia afirmar o seguinte: "eu quero amar você, mas não quero que fique no meu pé porque preciso conservar a minha liberdade de ação dadora".

Talvez então a partir dessa formulação dramática básica, poderíamos ter o seguinte núcleo ou célula dramática: "Alguém do tipo Dador precisa agradar o parceiro, no entanto deseja a sua liberdade para fazer tudo aquilo que desejar".

É notável que alguém que tenha vontade de fazer tudo aquilo que deseja necessite se comprometer com alguém de forma a tentar agradá-lo de modo contínuo e compulsivo. Não é a toa que os "Dadores" são chamados de histriônicos, pois é preciso muita "graça" para rir da própria armadilha psicológica na qual se coloca, inconscientemente vá lá, mas não menos contraditória - o que por si só causa estranheza quando descoberto da forma como estamos mostrando aqui.   

Uma outra característica notável no tipo em foco, seguindo uma linha freudiana, está no fato de que a "repressão psicológica" é o artifício utilizado pelo "Dador" quando seu ego necessita defender-se.  Ou seja, a defesa psicológica da qual se utiliza faz da repressão de idéias, sentimentos, percepções e eventos em desacordo com o seu verdadeiro "eu", uma maneira prática e habitual segundo a qual "escorraça" para o porão do inconsciente tudo aquilo que pareça inadequado à expressão do sentimento ou da necessidade verdadeira que brota do fundo de sua alma. Como resultado, deixa apenas transparecer aqueles outros "eus" criados para servir de adequação aos seus planos de afeto para com seus "amados".

Convém acrescentar que todos os tipos de personalidade têm qualidades inferiores e superiores em potencial, isto é, deixando a sua essência para trás, os tipos adotam um modo mais "material" para viver e se ver no mundo, de onde nascem as defesas psicológicas do ego, o qual, segundo Freud, é a instância mediadora entre o mundo interior e exterior do ser humano.

Assim sendo, ao longo de uma vida, um manancial de atitudes e comportamentos éticos e morais consagram os tipos em suas qualidades inferiores e mais raramente com as superiores.  Isto está de acordo com a filosofia da evolução espiritual segundo a qual é errando que se chega a um lugar de acerto.

Uma idéia correlacionada que também encontra exemplo no pensamento freudiano é a da formação da própria civilização humana, segundo a qual no âmago da psique humana os impulsos de morte disputam sua prevalência com os impulsos de vida - o que transportado para a visão dos tipos de personalidade, pode mostrar o conjunto de aspectos comportamentais oriundos dos tipos de caráter adquirido versus aspectos elevados da personalidade, os quais devem sintetizar a essência de valores e princípios espirituais da mais efetiva grandeza.


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