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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (10)
Maria Cláudia Oliveira
O fio condutor é a história do filho de um samurai que assiste ao assassinato de seu pai e sai em busca dos criminosos para fazer justiça. A narrativa dramática se desenrola dentro do próprio videogame, e o jogador precisa executar certas tarefas para conseguir que a história siga em frente.
As tarefas vão desde acender e apagar a luz de um aposento até lutar contra vários inimigos, passando por viagens de ônibus e trabalho duro no cais do porto – tudo isso para fazer com que a narrativa se desenvolva. Se o jogador seguir outro caminho que não o correto, precisará encontrá-lo para prosseguir, mas enquanto isso poderá visitar lojas, fazer compras, conhecer pessoas e até namorar, numa representação muito realista da vida que sobrepõe diversas narrativas e acontecimentos.
Cabe voltar a ressaltar que no hiperdrama, definitivamente, o espectador não é mais um receptor passivo, como quando lê um livro, assiste a um filme, vê televisão ou mesmo joga um videogame comum. Ele não é mais um observador externo, mas sim o próprio condutor da narrativa. Como coloca Couchot, o autor e seu destinatário encontram-se necessariamente associados à produção e à circulação dos textos, imagens e sons, estando atrelados ao mesmo projeto. (COUCHOT, 1997, p. 139-140)
6. Questões sobre a autoria da obra
Couchot levanta um questionamento bastante provocador: o autor, enfim, continua sendo o autor a partir do momento em que delega uma parte maior ou menor de sua responsabilidade na criação da obra? Ou seria preciso repensar estas relações?
Segundo ele, a partir do momento em que se admite que uma certa fração da subjetividade do observador se projeta no sistema através das interfaces e se hibridiza com a do autor, é preciso se interrogar sobre o que resta de próprio e de inalterável ao autor originário. (COUCHOT, 1997, p. 141-142)
Até que ponto será possível construir uma obra de arte realmente coletiva? Para Couchot, a obra interativa só tem existência e sentido na medida em que o espectador interage com ela. (COUCHOT, 1997, p.140)
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