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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (11)
Maria Cláudia Oliveira
Mas essa co-autoria do receptor com o primeiro autor é mesmo real? Será que o usuário de um objeto de nova mídia realmente faz escolhas? Ou estas escolhas são direcionadas pelo primeiro autor, de uma maneira disfarçada em “interatividade”? Manovich tenta responder a esta questão:
“Antes, deveríamos ler uma frase de uma história ou uma linha de um poema e pensar em outras linhas, imagens, memórias. Agora a mídia interativa nos pede para clicar numa frase em destaque para ir para outra frase. Em resumo, somos requisitados a seguir associações existentes objetivamente pré-programadas.
Em outras palavras, no que pode ser lido como uma versão atualizada do conceito de “interpelação”, do filósofo francês Louis Althusser, somos requisitados a tomar por engano a estrutura da mente de outra pessoa como a nossa própria. (...) Este é um novo tipo de identificação do trabalho cognitivo apropriada para a era da informação.
As tecnologias culturais da sociedade industrial – cinema e moda – nos pediam para nos identificarmos com a imagem corporal de outra pessoa. A mídia interativa nos pede para nos identificarmos com a estrutura mental de outra pessoa.” (MANOVICH, 2000, p.61)
É possível que esta imposição de subjetividades deixe de existir? Manovich coloca que sempre se diz que o usuário de um programa interativo se torna seu co-autor. Que, escolhendo um caminho, ele supostamente cria um novo trabalho. Mas, segundo ele, este processo pode ser visto de uma maneira diferente.
Se um trabalho completo é a soma de todos os possíveis caminhos nele contidos, então o fato de o usuário seguir um caminho particular faz com que ele acesse apenas parte deste todo pré-existente, ativando parte do trabalho total que já existe e foi criado, não por ele, mas pelo primeiro autor do trabalho.
Então esta co-autoria continua sendo duvidosa. Paradoxalmente, ao seguir um caminho “interativo”, o usuário não constrói uma identidade única, mas, ao contrário, adota identidades já preestabelecidas pelo primeiro autor da obra.
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