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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (2)
Maria Cláudia Oliveira
O advento da tecnologia de televisão digital, que deve ser implantada no Brasil até 2010, reforçou a idéia de que era necessário pensar em novos formatos de entretenimento audiovisual para estas novas mídias.
A proposta deste trabalho é, portanto, sugerir o desenvolvimento de um novo formato de narrativa dramática audiovisual que utilize as tecnologias de comunicação digital e todas as suas possibilidades, incluindo interatividade, fragmentação da narrativa, simultaneidade de ações e descentralização da figura do autor, elementos que ampliam os limites da representação dramática tradicional e descortinam um ambiente de comunicação ainda desconhecido, pleno de possibilidades de interação entre autores e receptores.
Essa nova narrativa dramática é chamada aqui de hiperdrama, a partir do estudo dos conceitos de hipertexto e hipermídia. Por possuir características que o relacionam diretamente com as questões da pós-modernidade e da globalização, a hipótese que pretendo defender é que o hiperdrama seria a representação pós-moderna da dramaturgia audiovisual.
Este trabalho tenta lançar um olhar mais acurado sobre uma questão que fatalmente irá emergir nos próximos anos, com a solidificação das novas tecnologias digitais nos meios de comunicação: a necessidade de reestruturação conceitual do mercado de entretenimento de massas para a sociedade globalizada.
2. Hipertexto e hipermídia
A utilização do conceito hiperdrama neste trabalho tem o objetivo de definir um novo formato de narrativa dramática audiovisual, passível de ser executada apenas em mídias digitais, e cuja estrutura se baseia principalmente nos conceitos hipertexto e hipermídia, ambos largamente utilizados, definidos e estudados principalmente quando se pensa em Internet e com a qual estão profundamente ligados desde a sua criação.
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