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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (3)
Maria Cláudia Oliveira
A origem do conceito hipertexto é atribuída a um artigo do cientista e acadêmico americano Vannevar Bush (1890-1974), que dirigiu, durante a Segunda Guerra Mundial, o Office of Scientific Research and Development dos Estados Unidos, órgão responsável pelas pesquisas efetuadas para a guerra.
O artigo As we may think, escrito após o fim da guerra, em 1945, foi publicado originalmente na revista Atlantic Monthly e atualmente é referência mundial nos estudos sobre a Internet.
Preocupado com a melhor forma de organizar o saber científico da época, espalhado por laboratórios do mundo inteiro sem nenhum tipo de catalogação, Bush descreveu ali um mecanismo que chamou de Memex (abreviação de Memory Extender), cuja proposta era complementar a memória humana criando um meio de organizar informações através do processo da associação.
Seu projeto previa que o usuário juntasse pedaços de informação criando links, que ele chamava de trails, ou trilhas, através das quais qualquer item catalogado poderia ser ligado a outro.
O Memex também permitiria aos usuários copiar e inserir informações, bem como conectá-las àquelas já existentes. O projeto jamais saiu do papel mas, caso fosse construído, o Memex teria sido a primeira biblioteca interativa da História. Visionário, Vannevar Bush já previa a forma de armazenamento de dados que atualmente é utilizada em larga escala no mundo digital. (BUSH, 1945)
Mas o termo hipertexto só foi cunhado anos depois, por Theodore Nelson, em 1965, para descrever a idéia de textos não lineares ligados por meio eletrônico, que permitiria aos leitores fazerem buscas por associação.
Nelson desenvolveu um sistema chamado por ele de Xanadu, em homenagem ao poema de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834). Nelson visualizou um sistema de documentos “impossível de ser medido pelo homem” – exatamente como as cavernas do poema – onde um leitor poderia seguir seu próprio caminho através de uma rede, e ainda acrescentar um documento a ela, se quisesse. (NELSON, 1965)
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