Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (4)

Novas definições seguiram-se à de Nelson ao longo dos anos, mas a dele ainda pode ser considerada a mais “pura”, pois apresenta apenas os elementos essenciais de ligação entre os arquivos e o controle do leitor.


Outra definição de hipertexto que também nos serve para pensar o hiperdrama é dada por Pierre Lévy, que o descreve como um conjunto de nós ligados por conexões:


“Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos (...), seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. (LÉVY, 1993, p.33)


Segundo Lévy, o hipertexto tem seis características principais:

  • metamorfose, já que a rede hipertextual está em constante construção e renegociação;
  • heterogeneidade, pois nele encontram-se imagens, sons, palavras, sensações etc.;
  • multiplicidade, já que o hipertexto se organiza em um modo ‘fractal’, ou seja, qualquer nó ou conexão pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede;
  • exterioridade, pois a rede não possui unidade orgânica, nem motor interno, dependendo de um exterior indeterminado;
  • topologia, em que tudo funciona por proximidade, por vizinhança;
  • e finalmente a mobilidade dos centros.


Nancy G. Patterson lembra que, embora alguns teóricos discorram sobre pensamento hipertextual, o tipo de pensamento que ocorre durante os processos de leitura e escritura do hipertexto é muito próximo da própria cognição humana. (PATTERSON).

Este é um dos pontos mais curiosos e interessantes da cultura cibernética, dos processos na Internet, do hipertexto e, por que não dizer, do hiperdrama: seu funcionamento é muito semelhante ao da mente humana, indo e vindo em direções aleatórias, misturando passado, presente e futuro, fazendo ligações entre idéias e pensamentos que aparentemente não possuem qualquer conexão entre si.

 

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