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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (5)
Maria Cláudia Oliveira
Também o conceito de hipermídia, bastante próximo ao de hipertexto, tem características muito próprias para o hiperdrama. Segundo Arlindo Machado, a hipermídia aproveita a arquitetura não linear das memórias de computador para viabilizar obras “tridimensionais”, dotadas de uma estrutura dinâmica que as torne manipuláveis interativamente. (MACHADO, Arlindo, 1997, p.146)
3. Hiperdrama e pós-modernidade
Estas características de fragmentação e descentralização presentes nos conceitos hipertexto e hipermídia remetem aos estudos sobre a pós-modernidade, que é definida por Jean-François Lyotard como
“o estado da cultura após as transformações que afectaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes a partir do fim do século XIX.” (LYOTARD, 1989, p.11).
Transformações estas bastante aceleradas a partir dos anos 1960, quando o advento de novas tecnologias de informação e o processo de globalização do capitalismo deram início a uma revolução nos meios de comunicação de massa, que romperam e ultrapassaram fronteiras culturais e socioeconômicas.
David Harvey coloca que o pós-moderno privilegia a heterogeneidade e a diferença como “forças libertadoras” na redefinição do discurso cultural. Segundo ele, a fragmentação, a indeterminação e a intensa desconfiança de todos os discursos universais são o marco do pensamento pós-moderno. (HARVEY, 1992, p.19).
Na mesma obra, Harvey cita Lyotard, lembrando como o filósofo francês emprega uma metáfora de Wittgenstein para “iluminar a condição do conhecimento pós-moderno”:
“A nossa linguagem pode ser vista como uma cidade antiga: um labirinto de ruelas e pracinhas, de velhas e novas casas, e de casas com acréscimos de diferentes períodos; e tudo isso cercado por uma multiplicidade de novos burgos com ruas regulares retas e casas uniformes”. (HARVEY, 1992, p.51).
A representação da antiga cidade européia, utilizada como metáfora da pós-modernidade, poderia ser comparada à arquitetura das favelas brasileiras, retratos nacionais do caráter excludente da globalização e do capitalismo tardio no qual estamos inseridos atualmente, e que são profundamente relacionados com o que se convencionou chamar de pós-modernidade. Harvey reforça esta idéia quando coloca, invocando Fredric Jameson, que o pós-modernismo não é senão a lógica cultural do capitalismo avançado. (HARVEY, 1992, p. 65).
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