Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (6)

Metáfora semelhante é utilizada por Machado, ao afirmar que a hipermídia reproduz perfeitamente a estrutura descentrada de um labirinto:


“Ao contrário do que imaginavam os gregos, o labirinto cretense não era uma prisão ou uma máquina de guerra, mas exatamente uma arquitetura representativa da complexidade máxima que a imaginação do homem da Antigüidade podia conceber (...). A saída não era propriamente um problema para o visitante (...). O problema, na verdade, era como avançar sem perder-se (...) Nesse sentido, o labirinto existia para ser percorrido (...) de modo a explorar ao máximo suas possibilidades.” (MACHADO, Arlindo, 1997, p.149).


Essa idéia se encaixa como uma luva no conceito de hiperdrama, que seria um labirinto de dramas, um emaranhado de histórias, uma teia de ações construída em rede de mídia digital, na qual o navegador poderia entrar e sair, interagindo com as ações propostas por aquele que passo a chamar de primeiro autor.

Isto porque, sendo obra interativa que permite intervenções de outrem, o hiperdrama não comporta apenas um autor, mas vários – na verdade, quantos desejarem entrar na história e modificá-la de acordo com suas próprias preferências.

Característica que também se relaciona com um dos aspectos da cultura pós-moderna: a desconstrução do poder do autor. Este deixa de impor significados ou narrativas, necessitando, para a conclusão de seu trabalho, da participação ativa dos receptores, que passam a ser co-autores da narrativa dramática.


Machado afirma ainda que todo texto é sempre a atualização de uma infinidade de escolhas, num repertório de alternativas que acabam eliminadas na versão final da obra. Ao longo do processo de escritura, o texto “sofre o fogo cerrado dos críticos imaginários que atormentam o autor, multiplica-se numa profusão de possibilidades (que depois se rasuram ou se apagam), bifurca-se diante das soluções diferenciadas.” (MACHADO, Arlindo, 1997, p.148).

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