Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (7)

Já o texto hiperdramático passa a permitir que o receptor, ao navegar pela história, tenha a oportunidade de conhecer todas as outras possibilidades do desenrolar imaginadas pelo primeiro autor e que, numa narrativa tradicional, são deixadas de lado conforme a narrativa vai se desenvolvendo. Ou, indo mais além, de criar novas possibilidades de acordo com sua própria subjetividade, transformando aquela história numa nova narrativa, em que estarão presentes elementos de sua própria cultura, que por sua vez passarão a circular pelas máquinas da rede num sistema de troca cultural jamais realizado antes.


Guattari afirma que não se pode falar de produção de subjetividade sem reconhecer que seus conteúdos dependem, cada vez mais, de uma infinidade de “sistemas maquínicos”. (GUATTARI, 1993, p.177).


Seguindo esta linha de pensamento, a união de homem e máquina na construção de subjetividades leva a uma nova forma de produção de cultura que está em andamento na sociedade.

Edmond Couchot coloca que a relação entre artista e público através da máquina permite uma interação instantânea, tornando possível ao público associar-se diretamente à produção da obra e acelerando a produção de significados: “Uma obra interativa não saberia esperar indefinidamente como Cinderela adormecida para ser acordada para significar.” (COUCHOT, 1997, p.135).


Ainda segundo Couchot, o desenvolvimento das tecnologias numéricas proporciona agora formas de participação mais elaboradas e ampliadas. O computador permite efetivamente ao público interagir com imagens, textos e sons que lhe são propostos. É permitido a cada um associar-se diretamente não somente à produção da obra, mas também a sua difusão. (COUCHOT, 1997, p.137).

O que pode provocar, agora de acordo com Manovich, a suspensão de um dos fatores mais sedutores da narrativa dramática audiovisual, a ilusão – suspensão esta causada pela interação do usuário com a obra através da máquina. Neste caso, sem máquina não há obra e portanto não há artista, autor ou receptor. O processo não se inicia e nem se completa a não ser através dela. (MANOVICH, 2000, p.206)

 

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