PSICANÁLISE DO TIPO DE PERSONALIDADE
PERSONAGEM "LATITUDINÁRIO"
Felipe Moreno
Enfim, chegamos ao tipo de personalidade "Latitudinário", com o qual terminamos essa série de textos sobre os tipos eneagramáticos de personalidade, esperando, com isso, ter ajudado na compreensão de cada padrão de caráter básico, pelo menos do ponto de vista da conhecida configuração personalista atribuída por sufistas, cientistas da mente e estudiosos do Eneagrama.
Cabe ratificar que os nomes utilizados para os tipos de personalidade nessa série de textos foram escolhidos digamos dentro de um esquema deliberado que batizamos de “PDL”, ou seja:
o “P, que corresponde aos tipos instintivos (tipos Patrão, Pacificador e Perfeccionista – ler textos já publicados neste site);
o “D” que corresponde aos tipos emocionais (tipos Dador, Desempenhador e Devaneador – ler textos já publicados neste site);
o “L”, que corresponde aos tipos intelectuais (tipos Longevidor, Legalista e Latitudinário – os dois primeiros já publicados neste site). *
Essa categorização, em tese, facilita a compreensão inicial dos tipos de personalidade eneagramáticos, propiciando um entendimento mais ajustado do que seja cada tipo em função não apenas de seus traços cognitivos, mas também em relação ao seu respectivo centro de inteligência e de como essa relação revela significativamente as peculiaridades dos tipos.
É o caso do tipo aqui em foco, o “Latitudinário”. Este título revela, pelo menos implicitamente, uma largueza de possibilidades de compreensão. E esta largueza está diretamente ligada ao tipo “Latitudinário”, na medida em que ele abrange em suas inclinações peculiares necessidades de abranger múltiplas opções de ação em sua vida corrente. Este padrão mental de viver busca “obstruir” o canal por onde inexoravelmente situações dolorosas ou frustrantes possam atrapalhar seus planos e escolhas prazerosas e otimistas.
Vale ter sempre em mente a razão metapsicanalítica que possibilita a compreensão lógica do sentido do “eu” se “apropriar” de um tipo de personalidade com finalidades de sobreviver neste mundo: a partir do abandono (ou distanciamento) da essência do ser em sua infância, em decorrência de seu ingresso na dinâmica civilizatória do mundo material, o que irá exigir adaptação e redirecionamento para as estruturas sócio-educacionais vigentes, o ser humano perde contato com aquilo que é verdadeiramente essencial em sua personalidade.
Este processo é conhecido mitologicamente como “Queda” (a mais famosa “Queda” é aquela cometida pelos nossos pais ancestrais, Adão e Eva, e que resultou na queda de estado a partir, digamos, de uma ‘desobediência edênica’).
Sendo assim, o “Latitudinário”, assim como todos os outros tipos de personalidade eneagramáticos, vive vestindo uma máscara arquetípica pela qual se mostra ao mundo não como é de fato, mas sim como acredita ser, pois dessa forma pensa estar sendo verdadeiramente ele próprio, se, é claro, tal pessoa estiver de costas para o seu mundo interior e desconhecer que tais hábitos e padrões de personalidade só se ajuntaram a ele devido a suas tendências e formas de viver na infância. Daí pode advir a pergunta: mas, então, o autoconhecimento pode mudar a dinâmica da pessoa em relação á sua personalidade adquirida?
*Quem quiser compreender melhor a lógica dos tipos poderá ler toda a seqüência de textos neste site, lendo a partir do tipo "Patrão" até este último e que chamamos de "Latitudinário".
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