A INTERRELAÇÃO DOS MEIOS (4)

Parece-me sim, que o diferencial está na relação público/obra. A viagem que se faz ao assistir um filme na sala de cinema é diferente daquela que se realiza ao ver o mesmo filme numa sala residencial. Compreender isso é fundamental para que os realizadores continuem seus trabalhos no veículo que melhor convier ao seu conteúdo.

Nesta relação dialética – cinema/televisão – surgem alguns elementos distintivos na apresentação de conteúdos ficcionais para um ou outro suporte. Mas cabe aqui uma ressalva: Não se trata de regras gerais para realização. São apenas constatações a partir da observação de produtos acabados e exibidos no telão e na telinha.

Tais elementos distintivos se materializam primeiramente ao nível da linguagem. A tv parece mais à vontade com o uso de planos fechados e tem alguma dificuldade com os planos gerais, que por sua vez têm melhor recepção na tela de cinema.

Uma segunda distinção que se pode observar é ao nível de estilo ficcional. A televisão parece nos oferecer diálogos mais realistas, mais espontâneos, enquanto o diálogo cinematográfico nos indica mais elaboração, privilegiando a ação visual. A duração de uma cena na TV é o tempo dos diálogos, no cinema a cena dura enquanto ela tiver energia, transcendendo ao período dos diálogos.

Mas repito, não são regras, são apenas indicações a serem observadas ou mesmo transgredidas por quem que se dedica ao ofício de realizar para um e/ou outro veículo.

No Brasil especificamente, a relação entre os meios em questão caminha um pouco ao sabor das tentativas. A rede Globo, por exemplo, ora “importa” filmes do cinema Nacional, ora adapta as suas séries de sucesso na telinha para as salas convencionais de filme. As demais emissoras não têm uma política definida a respeito.

O próximo “round” desta luta de amor e ódio em nosso país está prestes a começar e o gongo baterá com a implantação da TV digital.


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