Políticas Públicas para o Mundo Digital (3)

O modelo da mídia brasileira hoje é extremamente centralizador e pouco democrático. As Organizações Globo, com todas as suas emissoras de televisão, centraliza entre 70 e 80% da verba publicitária do país.

Há também uma imensa concentração publicitária em grandes empresas. Apenas 30 grandes anunciantes gastam em torno de um quarto da verba publicitária do país. Entre elas está incluído as várias esferas do governo.

Essa concentração excessiva vem minando a liberdade de expressão na mídia brasileira, inibindo os produtores audiovisuais de criticar algum desses grandes anunciantes. Instaura-se a censura privada.

A diversificação e democratização da atividade audiovisual passa pelo apoio público, mas só se efetiva na democratização dos anunciantes e na diversificação dos modelos de negócio.

Para a televisão, por exemplo, há quem defenda o modelo de financiamento da TV Pública que, em seu estado puro, seria o modelo de financiamento direto no público através de algum imposto, sem passar pela decisão do governo – que seria financiamento estatal – e sem influência dos anunciantes.

O modelo de financiamento público da televisão é fundamental e deve ser fortalecido no Brasil de hoje. No entanto, não seria o ideal que ele fosse o único modelo, que houvesse 7 redes públicas de televisão e nenhuma comercial. Os diversos modelos de televisão comercial tem sua importância e não devem ser esquecidos. E, mesmo o modelo estatal - que para alguns seria sinônimo de estado autoritário - pode contribuir na diversidade da programação.

É a diversidade de modelos de financiamento e gestão que trarão a qualidade (ou seja, a diversidade) ao conjunto da programação. Um exemplo dentro do modelo comercial: com o aumento do número de empresas anunciantes as empresas de criação de conteúdo ganham mais liberdade editorial podendo, por exemplo, criticar uma empresa que costuma lhe patrocinar, pois ela sabe que continuará tendo outros apoios ou conquistando novos. Dessa forma com a diversidade de anunciantes, as empresas de criação passam a se preocupar mais com o público e menos com os anunciantes.

Há hoje uma nítida tendência à diversificação do mercado. O share do bolo publicitário da televisão vem caindo pois, com as possibilidades do mundo digital, tem crescido a audiência em outras mídias, como a Internet.

Além disso, novos modelos de negócio surgem, ajudando a diversificar os financiamentos. No mundo dos conteúdos digitais o investimento não deve seguir a mesma lógica do investimento em cinema e televisão.

O digital tem modelos de produção e de negócios diferenciados que devem ser respeitados para elaborar as políticas públicas de investimento direto. Para isso é importante entender: quais os modelos de negócio que tendem a ser implantados no mundo digital? Como a economia do setor se financiará?

Dessa forma estaremos aptos a bolar políticas públicas que não encarem o estado como mero provedor de recursos e que atuem no aquecimento da economia, ajudando no surgimento de mercados mais democráticos.

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