Políticas Públicas para o Mundo Digital


Definição de digital e horizontes da convergência

A revolução das plataformas digitais é mais ampla do que todos as outras já realizadas por mídias anteriores, pois o digital interfere e altera todas elas. A chegada da televisão reduziu a importância econômica do cinema, mas não o transformou em sua essência. Já o digital interfere em todas as mídias simultaneamente, desde a mídia impressa, televisiva, telemática, etc...

“Bits são bits”, é o slogan de Nicholas Negroponte para definir o mundo digital, onde todos os objetos podem ser convertidos para um código numérico de zeros e uns.

Com isso surge a possibilidade da convergência de mídias, onde telefonia móvel e fixa, PC-internet, broadcast, TV digital e interativa irão formar uma única e integrada plataforma de comunicação.

Com a convergência de mídias filmes podem ser baixados da internet em todas as partes do mundo e em todos os tipos de aparelhos; programas de televisão podem ser vistos no PC; compras podem ser feitas pressionando-se um botão no controle remoto; fotos e vídeos podem ser captados e enviados por celulares.

O usuário poderá interagir profundamente não somente via computador, mas também via celular e televisão. Segundo a profecia de Bill Gattes (conferencia de Genebra em 1999), na convergência será possível que tenhamos: “Qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer lugar”.

Essa simples definição remodela tudo: da linguagem a organização das empresas. Uma tendência crescente no mundo da convergência é o desenvolvimento de produtos e serviços cruzados entre empresas de diferentes setores da indústria de comunicação e entretenimento.

Uma imagem produzida originalmente para cinema pode, com o digital, ser exibida também no celular. Isso faz com que as obras sejam desde o início concebidas com uma linguagem adequada a várias saídas, ou com conteúdos extras que possibilitem ações cross mídia (mídia cruzada). E as empresas estão revendo seu plano de negócios e reorganizando seu modelo de produção.

Como tudo pode ser convertido para zeros e uns não há mais tanto sentido em separar as mídias. Tudo é conteúdo digital e as empresas se definem não mais como produtores de uma mídia (revista, Internet, televisão, etc...) e sim como produtoras de conteúdo.

Isso fortalece a tendência há fusões e participações cruzadas no capital de empresas de diferentes setores de mídia. Provedores de acesso à internet se associam com empresas de mídias tradicionais, como editores de revistas, jornais, livros e produtores de televisão.

Juntos eles podem criam portais (como o Terra) que por sua vez se associa a operadoras de telefonia celular (como a Claro, que recentemente fez parceria com o Terra) para gerar conteúdos para telefonia móvel.

Por outro lado, provedores de tv por assinatura podem dar acesso a Internet em banda larga, empresas de TV aberta podem fazer acordos com provedores para colocar seu conteúdo na web, etc...

No limite esses ramos de comunicação que hoje são separados serão todos interligados. A rede Globo, por exemplo, poderá ser acessada na Internet, no celular ou na televisão aberta ou fechada.

Essa tendência tecnológica e a vontade de assegurar a hegemonia americana foi um dos fatores que levou a FCC a liberar a propriedade cruzada de empresas de comunicação nos EUA, através do Telecomunications Act de 1996, que abriu as portas para a criação para grandes conglomerados de empresas.

Um exemplo foi a criação da AOL-TIME-WARNER em 2000. Segundo o boletim Assessocom (12 de janeiro de 2000) juntas as empresas tem um valor de mercado de 350 bilhões e receita de 40 bilhões anuais. Reúnem 36 revistas, entre elas a Time, os canais de TV paga CNN, HBO e Warner Group e as marcas Netscape, People e Looney Tunes. Reúne algo em torno de 120 milhões de leitores de revistas, 35 milhões de assinantes da HBO e 13 milhões de assinantes da AOL (dados de 2000).


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