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Políticas Públicas para o Mundo Digital - 3
Newton Cannito
Esse exemplo foi o mais brutal e visível e um dos mais citados pela linha dos apocalípticos do mundo digital. No entanto, a cada dia pequenas ações se sucedem, sejam de fusões entre empresas,seja de parcerias para trocas de conteúdos.
A Telefônica, um gigante espanhol de Telecomunicações, parece estar se preparando para ser também uma grande produtora de conteúdo e recentemente comprou a Endemol, uma empresa inovadora e até então independente, criadora de formatos como Big Brother.
O interessante é que o que vale para as grandes corporações também se aplica às pequenas empresas produtoras audiovisuais, que também estão revendo sua estratégia. Um exemplo é a Griffa, uma produtora de audiovisual paulista, que tem destaque na produção de documentários para redes como a Discovery e o Animal Planet.
Ao invés de se definir apenas como produtora audiovisual a Griffa está se posicionando como uma “produtora de conteúdo”. Dessa forma, ao realizar um documentário para televisão, a empresa “aproveita” a pesquisa e realiza outros produtos em outras mídias como livros e sites.
No limite poderia fazer até mesmo o game. Essa tendência é também um fruto da convertibilidade da mídia digital. Por um lado há um fortalecimento da importância das marcas empresariais. Por outro essas marcas deixam de se definir apenas pela especialidade técnica (produção de livros, filmes, etc...) e podem começar a se definir também por um setor de conteúdo (produção de conteúdo para infantil, adulto, ecológico, etc...), optando por produzir vários produtos em diferentes mídias para o mesmo conteúdo.
A convergência promove ainda o surgimento de novos aparelhos, muitos multifuncionais, de uso diário para um público de massa. Um aparelho portátil poderá reunir vários aparelhos hoje separados, como um computador de mão, telefone celular, câmera digital, sistema de localização GPS, câmera e receptor de TV, software de videoconferência, imagem de alta resolução sobre tela de cristal líquido, tradutor automático para quatro línguas, sistema de reconhecimento da fala e da voz, jukebox embutida com capacidade para armazenar milhares de músicas, acesso à Internet de banda larga e até um sistema para controle de sua própria casa, abrindo e fechando janelas, por exemplo.
Muitos desses recursos já existem hoje, mas em aparelhos separados. Uma tendência é ter todos em aparelhos portáteis, cada vez mais baratos e acessíveis a população.
Porque não chegamos ainda a convergência?
Essa total convergência entre as mídias ainda não ocorre por três motivos. O primeiro é tecnológico. Esse, por incrível que pareça, está sendo rapidamente resolvido. Tanto a tecnologia de comunicação,quanto o desenvolvimento de aparelhos tem evoluído com grande velocidade o que permite imaginar que chegaremos a esse mundo muito em breve.
No entanto, há ainda dois outros motivos. O primeiro são o que poderíamos chamar de políticos-econômicos. Há hoje no mundo digital mais divergências do que convergências. Em telefonia móvel, por exemplo, apenas para colocar um vídeo digital numa única operadora é necessário adaptar o vídeo para algo em torno de 6 formatos, cada um para um tipo de aparelho celular.
As divergências entres os padrões é também fruto da disputa comercial entre as várias empresas que buscam a hegemonia nos novos mercados. Essa disputa acontece em todas as mídias do computador (onde a Microsoft conseguiu conquistar uma significativa hegemonia) aos DVDs.
Essas disputas pela hegemonia estão longe de serem resolvidas e tem impedido que se efetive a total convergência de mídias. E um desafio contemporâneo é garantir a convergência sem ceder a hegemonia de uma única empresa.
O terceiro motivo para a não efetivação da convergência total entre as mídias são os hábitos dos usuários. É o problema da usubilidade dos aparelhos que exige a criação de interfaces cada vez mais simples.
O diferencial, no entanto, estará nos conteúdos. Para crescer no mundo digital as empresas tem que ter clareza que os diferentes tipos de tecnologia não fazem diferença nos olhos dos consumidores. Para eles, é o conteúdo e os serviços oferecidos que os motiva a utilizar os aparelhos.

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