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Políticas Digitais - Os novos modelos de negócio do audiovisual digital - 3
Newton Cannito
Esse modelo de negócios, baseado no patrocínio a programas e não a spots no intervalo comercial vai na oposição da autonomia editorial da programação conquistada por Boni e Clark na televisão brasileira dos anos 60. Mas tende a crescer rapidamente.
Esse modelo também obriga a uma reformulação da função da agência de publicidade no mercado audiovisual, pois existe a possibilidade do setor criativo da emissora se aproximar do anunciante sem a mediação da agência, o que remodelaria todo o mercado atual. Ou ainda, numa segunda hipótese, a agência se reestruturará, contratando pessoas aptas a desenvolver programas inteiros pensados para o cliente, e não apenas anúncios.
Outro modelo de financiamento audiovisual que irá crescer em importância econômica é as várias maneiras de pagamento direto do cliente. Uma delas é o pay per view, modelo comum em televisões por assinatura e na mídia celular. É um modelo muito comum para assistir filmes e outros produtos unitários.
Outra forma de pagamento direto do cliente são os pacotes de assinatura que podem incluir um conjunto de vídeos, ou um conjunto de canais (como é os pacotes feitos para os assinantes da tv paga). O modelo de pagamento direto com o cliente crescerá também com as possibilidades da TV Digital.
O interessante desse modelo é que ele libera o produtor do anunciante e faz ele focar prioritariamente no espectador. Para dar um único exemplo: um programa que se dedique a denunciar o crime empresarial das corporações (os crimes contra o cidadão e o consumidor, cometido por bancos, indústrias farmacêuticas, etc...) teria poucas possibilidades de se viabilizar na televisão brasileira atual, financiada prioritariamente por grandes patrocinadores.
Mas num modelo financiado direto pelo público, um programa como esse poderia conquistar sua viabilização financeira. Isso é mais uma prova de como a diversidade dos modelos de negócio é que constrói a diversidade estética.
Essa discussão sobre modelos de negócio ainda está centrada em modelos “ideais”. Na verdade cada produto audiovisual tem várias formas de financiamento, algumas para o público direto, outra para anunciante, etc... Parte da receita vem de bilheteria, parte de vendas para dvd, parte de um patrocinador, etc... É a organização entre várias delas que compõe o plano comercial de determinado produto.
No entanto, a definição de um modelo de negócio é fundamental. O plano de negócios tem uma previsão de onde e quanto entrará de recursos. Ele, depois de implantado, será difícil de ser transformado, pois determinará até mesmo a organização da produção.
O plano de negócios da telenovela, por exemplo, baseia toda sua venda de anúncios no público das donas de casa. Mesmo com a recente alteração do público – que conquistou jovens e homens na audiência - o grosso da comercialização das telenovelas ainda é centrada no público de donas de casa, pois o setor de mídia é sempre mais conservador do que o setor criativo.

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