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Políticas Digitais - Os novos modelos de negócio do audiovisual digital - 4
Newton Cannito
Isso tem nítidos efeitos estéticos sobre o conteúdo das telenovelas. No caso do digital já está ocorrendo coisas parecidas. As empresas já sedimentadas hoje ainda não sabem lidar com as novas perspectivas de negócio das mídias digitais e se utilizam de modelos anteriores.
Um exemplo: recentemente a operadora de telefonia móvel Claro fechou um acordo inovador com a MTV, para colocar alguns vídeos da emissora como conteúdo exclusivo no portal de clientes da operadora. O acordo, mesmo inovador, teve que seguir a lógica tradicional do departamento comercial da MTV.
Ao invés de ganhar com a “venda” direta dos conteúdos para o canal da Claro o acordo firmado foi uma espécie de “escambo”, de troca: a MTV forneceu os conteúdos para a Claro e esta comprou horários de exibição de anúncio na grade da MTV. Dessa forma, o dinheiro entrou para a MTV no modelo de negócio que ela está acostumada, como anúncio.
A situação é anacrônica, pois o objetivo da Claro não era necessariamente veicular anúncios de sua operadora na MTV, ela estava mais interessada em disponibilizar vídeos da MTV para fidelizar seus clientes atuais, ganhar no download dos vídeos e agregar valor a sua marca. A iniciativa foi inovadora, mas o acordo comercial ainda está correndo atrás da criatividade de quem bolou a promoção.
Como os modelos de negócio organizam todo o financiamento da empresa eles, a médio prazo, determinam até mesmo os conteúdos. No mundo digital, novos modelos vão crescer e se tornar hegemônicos. É difícil prever todos os detalhes, mas podemos verificar algumas tendências como:
a) um mesmo produto terá várias saídas e, no faturamento do produto, crescerá a importância de mídias que hoje são consideradas alternativas;
b) crescerá a importância do faturamento direto no cliente, sem mediação de anunciantes.
Cabe as políticas públicas incentivar o surgimento de empresas inovadoras e adequadas a esses novos modelos.

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