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Políticas Digitais: As novas empresas do mundo digital
Newton Cannito

O mundo digital favorece ainda novas formas de organização das empresas. Nele cada um de nós é um potencial produtor de conteúdo. Fotologs permitem que um cidadão não especializado crie com facilidade seu site pessoal e os softwares de criação artística se tornam cada vez mais simples e mais baratos. As crianças de amanhã estarão aptas a produzir seus próprios vídeos e conteúdos audiovisuais de forma caseira.
No cinema e na produção televisiva de ponta o diferencial de uma empresa é o padrão técnico e artístico da produção. No entanto, com a tecnologia nivelada e acessível a todos, o diferencial será, cada vez mais, a criatividade individual. Por isso, as empresas que conseguirem agregar a maior quantidade de talentos terão vantagem competitiva.
Empresas já consolidadas em modelos tradicionais de gestão, como as atuais corporações de mídia, podem ter dificuldade em se adaptar as necessidades desse novo modelo. A Globo, por exemplo, é uma empresa que produz a maioria dos produtos que exibe.
Ao contrário disso, as novas empresas serão mais participativas e, ao invés de gerarem todo o conteúdo, serão organizadoras e “agregadoras de conteúdos” alheios, gerados por milhões, milhares ou centenas de usuários. Produtores que hoje trabalham de forma amadora poderão ser “esporadicamente profissionais” e, alguns deles, se profissionalizar definitivamente. O diferencial dessas novas empresas será:
- a forma de organizar os conteúdos;
- softwares que facilitem e padronizem os conteúdos gerados;
- forma de convencer o usuário-criador a dedicar seu talento a essa empresa, e não a concorrente; e
- sua identidade–marca. Esse novo modelo de empresa pode ser próximo as atuais comunidades e essas empresas tendem a se organizar economicamente de forma cooperativada.
Os usuários-criadores-sócios permanecerão fiéis a essa “empresa-comunidade” por critérios que passam pela renumeração (obviamente!), mas também pela liberdade de criação, participação nos rumos da editoria e identidade com os valores dessa comunidade.
O sucesso de empresas como o google e de iniciativas como orkut (da google) antecipam esse novo mercado. Os entraves para seu desenvolvimento pleno desse mercado de forma democrática estão mais na esfera dos direitos (direitos autorais, empresarial, etc..) do que na esfera tecnológica.
Nesse caso cabe ao poder público um grande e rápido esforço de adaptar as questões de direito autoral e de organização tributária, fiscal e empresarial a essa nova realidade. Essas questões, apesar de fundamentais, não serão debatidas nos limites desse artigo que se centrará nas formas de apoio econômico do poder público a essas iniciativas.
No entanto, é preciso calma ao prever essa utopia. O mundo não será apenas esse “maravilhoso caos rizomático”, radicalmente democrático e sem centro produtor definido. Ainda teremos grandes empresas produzindo grandes filmes, grandes games e grandes telenovelas e esses produtos de ponta continuarão moldando o imaginário de nossa época.
Isso porque a produção de audiovisual de ponta é demasiada complicada e envolve muito esforço e dinheiro para ser feito por “todas as pessoas”. E mesmo com a tecnologia acredito que continuará presente a necessidade do individuo de ter um consumidor passivo, de ser apenas público, de não interagir o tempo todo.
Por isso, não estamos prevendo aqui que acabarão as produções audiovisuais de ponta, nem que entraremos num mundo sem centro produtor. No entanto, ganhará importância econômica às produções caseiras e empresas organizadas de forma cooperativada. Cabe ao poder público estar na linha de frente dessa nova economia.

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