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Dificuldades da Interatividade em Televisão (2)
Newton Cannito
Outro problema será o das interfaces da televisão digital. O mouse permite uma interação mais diversificada do que o controle remoto. Mesmo o controle remoto aperfeiçoado apresenta dificuldades de usabilidade. O controle remoto utilizado no DVD e o controle remoto usado em operadoras de televisão por assinatura (como Sky e Directv) são modelos possíveis de controles para a futura televisão digital.
O tipo de interatividade do DVD, com alguns extras e uma navegação bastante restrita, é um modelo pensado para televisão digital.
Outras discussões serão sobre a divisão da interface da tela. Com certeza a técnica da simultaneidade será utilizada para criar a interface.
Como já dissemos o programa estará acontecendo e, em paralelo, teremos os ícones e links para possibilitar a interação. Onde vão estar esses ícones são alguns dos debates que ocorrem para criação da interface da televisão digital.
Na maioria dos programas interativos das televisões por assinatura atuais, a interatividade é uma opção extra do controle remoto, que só surge ao você apertar o botão i (de interatividade). Nesse momento a tela se divide (como se fosse uma imagem de DVD) entre o programa que continua sendo exibido numa imagem menor e um pedaço (geralmente à esquerda) para interatividade.
O interessante é observar que a opção pela interatividade não é “natural” à televisão, ela é uma intervenção que transforma tudo. Isso, obviamente está longe de ser o ideal.
Há possibilidades mais contemporâneas, ainda a serem investigadas, que permitem que o link esteja sobre a própria imagem, sem a necessidade de aparecer um outro cursor. No caso de narrativas, o link sobre a imagem é possível e pode contribuir na criação de narrativas orientadas por objetos.
Para terminar, uma diferença fundamental que tem a ver com os hábitos de uso de cada mídia. A recepção no computador é individual enquanto na televisão é coletiva ou, ao menos, pública. A recepção coletiva gera uma série de dificuldades para a interação. Isso se percebe até em famílias discutindo sobre o poder de deter o controle remoto e a decisão de qual canal assistir.
Quanto mais complicada a interatividade, mais complicada será essa decisão “coletiva”. No caso de narrativas, mesmo se você assistir televisão sozinho, a decisão sobre os caminhos da interação será sempre coletiva, pois o programa irá seguir de acordo com a votação da maioria.
Uma forma de narrativa com caminhos individuais tipicamente televisiva é exibir vários pontos de vista da mesma história em vários canais. A interatividade ocorre pela simples troca de canal (algo que pode ser feito até na televisão analógica) e cada telespectador verá trechos diferentes da história.
Esse caso, mesmo possível com a televisão analógica, só foi implantado em canais experimentais, como o programa D-Dag TV exibido pela televisão dinamarquesa. A experiência, mesmo interessante, corre o risco de romper com outro prazer comum a todas as narrativas: assistir algo e conversar com outro após o filme sobre o que você assistiu.
A televisão se notabilizou por ser a mídia que mais catalisa esse tipo de debate público e as narrativas individuais parecem não fazer sucesso por romperem com essa possibilidade.

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