| O “GANCHO” EM TELEVISÃO (2)
por Duba Elia
O gancho no final da ação é mais usado em minisséries. O público, mais sofisticado, sabe o que vai acontecer e sente-se “enganado” tendo que esperar para ver o final daquele movimento. Ele já sabe que a mocinha vai morrer, ou até que vai aparecer alguém naquele momento para salvá-la. Esse público quer saber o que o autor vai apresentar como conseqüência do gancho.
Em ambos os casos, no bloco seguinte, a ação deve continuar segundo a lógica da história.
Existe uma prática muito comum em televisão que é o “falso” gancho. O falso gancho, geralmente, foge das conseqüências e faz a história voltar atrás, ao momento anterior ao gancho. O falso gancho é uma “volta” na história e no espectador. Um exemplo disso é um personagem que de repente desmaia, gratuitamente, sem isso estar relacionado à lógica da história, para voltar a si no bloco seguinte, apenas para criar uma situação grave.
O gancho, em televisão, está intimamente ligado aos intervalos comerciais. Essa relação pode ser “adequada” ou “predatória”.
A relação adequada entre gancho e objetivos comerciais se dá quando o gancho faz parte da história, está adequado ao momento em que ocorre e mantém o público ligado no programa, esperando o próximo bloco e, portanto, assistindo aos comerciais.
A relação pode ser predatória quando o gancho é falso, criado de fora para dentro da história, com o objetivo único de prender a atenção do espectador para que ele assista aos comerciais. Nesse caso o público pode sentir-se enganado e, se não tiver uma relação afetiva muito forte com o programa, vai mudar de canal.
Muitos roteiristas perdem horas procurando um gancho. Se um gancho não pode ser encontrado facilmente é porque a história está fraca. Uma boa história oferece ganchos deliciosos, prontos para serem pescados.
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