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Apontamentos em defesa da regionalização da produção audiovisual.(6)
Por Iara Sydenstricker
Reflexões finais
A permanecerem à espera de decisões do Governo Federal e dos agentes interessados no mercado audiovisual sem que efetivamente se posicionem em relação à produção de televisão, cinema e outras mídias, os Governadores abrem mão de participar e orientar o crescimento econômico de seus estados num setor cada vez mais próspero e estratégico.
Correm o risco, ainda, de simplesmente não preparem seus estados para tal produção, ampliando ainda mais a defasagem já existente entre as regiões. Não se trata, aqui, de defender a volta do Estado agente centralizador da esfera produtiva, mas de alertar para a supreendente inexistência de políticas públicas estaduais voltadas para a comunicação, em especial para o mercado audiovisual, tais como as de saúde, da educação, dentre tantas.
Finalmente, é preciso dissolver o preconceito que ainda prevalece em relação à televisão, inclusive por seu imenso potencial criativo e de absorção de mão-de-obra. Após 50 anos de produção continuada, experimentações e inovações, contando com a participação de grandes autores, atores, diretores, a televisão ainda é desprezada como linguagem, como conteúdo, como qualidade.
Ainda é o cinema o grande achado de alguns acadêmicos, artistas e produtores. Acredita-se, porém, que também (ou ainda mais) a televisão permita quebrar uma consolidada forma de produção monopolista, segregada e excludente. Ou Norte, Nordeste e Centro-Oeste começam a produzir e a trocar sua programação, ou passarão, definitivamente, à posição de vagões de carga puxados por motorneiros do Sul e do Sudeste do país.
Chauvinismos à parte, vale reafirmar que é preciso levar a televisão e seu respectivo direito de produzi-la regionalmente a sério, sob o risco de vermos institucionalizado e consolidado nosso apartheid audiovisual. E, então, nem mesmo a sorte poderá ser lançada.
Anexo
SANTOS, Suzy. Banco de dados. Estrutura dos meios de comunicação no Brasil. Rio de Janeiro, 2007.
Referências bibliográficas
CAPPARELLI, Sérgio e SANTOS, Suzy. Convergência: comunicações no Brasil no início do século XXI.
MINC. I Forum de Televisões Públicas. Caderno de debates I. Brasília, 2006.
SANTOS, Suzy. Banco de dados. Rio de Janeiro, 2007.
_____________. O dono do mundo: o Estado como proprietário de televisão no Brasil. ?
SIMÕES, Cassiano. Globalização e regionalização da televisão brasileira: uma proposta para a economia política da publicidade e propaganda. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Mímeo. Salvador, Bahia, 2004.
SYDENSTRICKER, Iara. Apontamentos em defesa da criação de políticas públicas estaduais de radiodifusão. Pela regionalização da produção televisiva: o caso da TVE Bahia. Mímeo. Irdeb, Salvador, Bahia, dez. 2006.
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